
Na era da ascensão da agenda ESG (de governança ambiental, social e corporativa), a Hyundai se afunda cada vez mais em um escândalo nos Estados Unidos por nada menos do que trabalho infantil em sua cadeia de fornecedores. O problema começou a ser denunciado pela agência Reuters em julho e não para de ganhar novos desdobramentos.
Primeiro, o veículo revelou trabalho infantil em uma fábrica da Smart Alabama, fornecedor do qual a montadora é a maior controladora, que contaria com crianças menores de 12 anos na produção. Depois, outro parceiro da empresa, dessa vez um que pertence 100% à Hyundai, admitiu ter trabalho infantil em sua operação.
Agora, a novidade é que a Reuters encontrou pelo menos quatro outras fábricas do ecossistema da companhia coreana que empregam pessoas sem idade o bastante para trabalhar.
Leia também:
– O que há de errado em defender trabalho infantil nas montadoras
– Hyundai investiga mão de obra infantil em fornecedores nos Estados Unidos
Mais montadoras podem ter trabalho infantil na cadeia de fornecedores
O escândalo deve respingar em outras montadoras, já que, segundo a agência, autoridades investigam mais fábricas e indicam a presença de trabalho infantil em pelo menos meia dúzia de fornecedores, incluindo a Hwashin, cuja fábrica pertence à Hyundai, e a Ajin, empresa independente também sul-coreana.
Uma escola da região já havia pedido em 2021 que as autoridades investigassem possíveis contratações irregulares. A reportagem da Reuters conversou com funcionários adultos das empresas envolvidas. Um deles admitiu interagir com ao menos 10 crianças em seu dia a dia de trabalho e, ao levar a preocupação a um gestor, ouviu que ele deveria deixar a preocupação de lado e focar na produção.
Como o trabalho infantil chega às montadoras nos EUA
O caminho para que crianças cheguem as fábricas de fornecedores da Hyundai como funcionários passa por uma série de práticas eticamente questionáveis. Estão envolvidas agências de recrutamento que preenchem prontamente as vagas e há suspeitas, inclusive, de casas pertencentes a uma empresa de RH que abrigam as crianças empregadas.
As tais agências de recrutamento estão em investigação ainda por práticas como deter o controle de empresas que fazer o transporte dos trabalhadores para as fábricas e cobrar dos funcionários menores idade por esse deslocamento, descontando diretamente da folha de pagamento.
A reportagem da Reuters aponta que a prática deplorável segue acontecendo porque as penalidades são leves, garantindo que, nesse caso, o crime compense. Há ainda a pressão sobre os fornecedores para não deixar vagas abertas nas linhas de montagem, sob o risco de grandes multas contratuais por atraso nas entregas previstas nos acordos com a Hyundai.