
O consultor destacou que o problema afeta em cheio a indústria automobilística, que enfrenta cada vez mais dificuldade para encontrar engenheiros. “Para que a indústria atenda as metas de tecnologia do Inovar-Auto precisamos primeiramente de pessoas”, enfatiza. Segundo ele, o setor precisará de 30 mil novos engenheiros até 2017 para acompanhar o investimento de R$ 60 bilhões previsto pela indústria para o período. Na opinião de Witt, a meta é praticamente impossível de ser alcançada. “Não temos solução para o curto prazo.”
A carreira tem problemas que começam desde a atração dos estudantes. O primeiro deles é a deficiência no ensino básico de matemática no Brasil, que inibe o interesse dos jovens pela profissão. Além disso, há grande taxa de evasão do curso, com 43% dos alunos desistindo antes da formação. Nesse contexto, o Brasil forma apenas 40 mil engenheiros por ano. Na China esse número chega a 400 mil profissionais, na Índia a 300 mil e na Coreia, 80 mil.
Cerca de 90% destes profissionais já saem da faculdade com emprego garantido. O problema é que, dos 800 mil engenheiros atuantes no Brasil, um terço está na área técnica, enquanto o restante ocupa cargos administrativos ou financeiros. “Os bancos gostam muito destes profissionais”, explica Witt, indicando para onde boa parte dos recém-formados vai ao sair da faculdade. Na opinião dele, a indústria automotiva perdeu a atração e, além de não oferecer os salários mais altos, é vista como obsoleta pela nova geração, acostumada a estar sempre conectada. “Eles sonham em trabalhar em um escritório como o do Google.”
Entre os aspectos importantes para esses profissionais, Witt enumera a remuneração e os benefícios. “Poucos profissionais têm uma ideia tão precisa de seu valor no mercado”, conta. Segundo o headhunter, o salário inicial está entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, com clara tendência de alta, pressionado pela escassez de oferta. Outra prioridade na busca de uma vaga é a localização. Deslocar um profissional de um grande centro urbano para trabalhar em um novo polo demanda fortes incentivos. Outros pontos relevantes para o especialista da área são a posição dentro da empresa e o plano de carreira e capacitação.
A diferença entre o que a empresa tem a oferecer e os interesses dos engenheiros resulta na tendência de aumento dos salários e na grande rotatividade de profissionais nas empresas. Como solução imediata, há a possibilidade de trazer especialistas de outros países, movimento que tem se intensificado. Para Witt, é preciso ampliar o interesse pela profissão e a retenção desses funcionários. “O RH deve fazer a transição das relações trabalhistas e sindicais para o RH estratégico”, conclui.
