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ESG e Diversidade: Empresas do setor automotivo revelam estratégias para engajar parceiros e fornecedores

Grandes companhias ressaltam que ecossistema tem de encarar agendas não apenas como responsabilidade social, mas como estratégia de negócios
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Marcus Celestino

28 nov 2023

4 minutos de leitura

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Engajar parceiros e fornecedores. Este é um dos maiores desafios das grandes empresas do ecossistema. O Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo, realizado na sexta-feira, 24, na Melicidade, trouxe à tona questões cruciais sobre como as empresas do ecossistema estão abordando os tópicos ESG e diversidade não apenas como responsabilidade social, mas como estratégia de negócios para garantir um futuro mais sustentável e equitativo em toda a cadeia.

O tópico foi discutido durante o painel “ESG e Diversidade: como engajar parceiros e fornecedores”, que contou com a participação de Guilherme Nascimento, Especialista em Diversidade e Inclusão da Volkswagen do Brasil, e Raphaela Di Iorio, Consultora de Compras e Sustainability and D&I Ambassador da Basf. 

“Antes de mais nada, as demandas por ações de ESG e Diversidade variam conforme a cultura de cada região”, destacou Di Iorio. Além disso, a adoção de critérios de compras inclusivas, já presente há algum tempo no segmento de cosméticos, tem ganhado destaque em nossa região. Nascimento enfatizou ainda que a indústria automotiva, em particular, busca cada vez mais práticas mais sustentáveis, com foco em fontes renováveis. 


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O Especialista em Diversidade e Inclusão da Volkswagen do Brasil também fez questão de mencionar as dificuldades encontradas na cadeia de valor, comparando a evolução a um voo que não ocorreu da noite para o dia.

“Elaboramos uma cartilha de Diversidade e Inclusão para educar fornecedores, principalmente os de menor porte, que ainda não têm nível de maturidade tão elevado no tema. Realizamos uma série de encontros de educação para trazer a importância da pauta, do eixo ESG, pois há uma disparidade dos níveis de consciência tanto de compras diretas e indiretas”, ressaltou.

Estimular agenda positiva e estabelecer relações justas

Além de trazer melhores práticas para estimular uma agenda positiva, conectar as contas também faz parte da mentalidade e da estratégia das empresas com seus parceiros e fornecedores. Não à toa, Raphaela Di Iorio apregoou isonomia. Destacou a importância de se estabelecer relações comerciais justas, equilibrando preço e qualidade e enfatizou o papel das pequenas e médias empresas, indicando a necessidade de prepará-las para competir de maneira justa.

“Nós, na Basf, lançamos um programa de desenvolvimento de fornecedores junto à área de inovação. Dessa forma conseguimos influenciar de modo positivo, pois se você não tiver tais politicas desenvolvidas você pode perder contratos. Com isso, o objetivo é destravar essas barreiras que, de certa forma, também são econômicas. Isso porque você, além dos tópicos de ESG e diversidade, tem que olhar para o preço e para uma proposta técnica adequada”, disse a Sustainability and D&I Ambassador.

Di Iorio também salientou que, independentemente do setor, existem passos-chave para encetar o processo de diversidade e inclusão. A compra de fornecedores diversos, a construção de uma cultura inclusiva, e a integração com organizações como a Integrare, que “promove e estimula o desenvolvimento de empreendedores pertencentes a grupos de diversidade”, foram destacadas.


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A Volkswagen, conforme já mencionado, também adota uma abordagem educativa. Segundo Guilherme Nascimento, além do desenvolvimento de uma cartilha de Diversidade e Inclusão para os fornecedores, especialmente os menores, a montadora de origem alemã implementou prêmio de modo a fomentar o tema entre os parceiros. Chamado de The One, a láurea foi criada justamente para reconhecer e incentivar práticas positivas na cadeia. 

Ademais, tanto o representante da Volkswagen quanto a da Basf citaram a influência da Lei de Diligência Prévia alemã LkSG se estende para suas regiões, destacando que o descumprimento dos requisitos impactam no faturamento da matriz e expõem as subsidiárias a riscos.

Na VW, por exemplo, uma estrutura dedicada ao ESG foi implementada no setor de compras, incluindo a formatação de contratos que incentivam a diversidade e inclusão. A empresa exige o fomento à igualdade de gênero, raça, etnia, PcD (pessoas com deficiência), idade, e direitos humanos, com a possibilidade de cortar fornecimento em caso de não conformidade. A Basf diz já olhar para tais quesitos, mas que segue lapidando, ajustando os códigos de conduta para garantir que os parceiros tenham valores condizentes com os seus.

Tanto Di Iorio quanto Nascimento apontaram ainda para a importância de se treinar as lideranças, de aguçar rodas de conversa entre colaboradores e, posteriormente, estender essas práticas aos parceiros. Isso porque, para eles, construção de uma cultura interna madura precede qualquer iniciativa externa, garantindo que a empresa esteja verdadeiramente comprometida com a diversidade e inclusão.