
Tecnologias voltadas para a sustentabilidade, experiência do usuário e até o metaverso, uma suposta nova fase da internet que recriará o mundo real em forma digital e permitirá que as pessoas interajam como avatares, estiveram no centro da conversa com Márcio Avólio, gerente de marketing da Audi do Brasil, e Bruno Silva, gerente de operações da ZF Aftermarket, que participaram do painel “Futuro fisital e data science: visão de longo prazo” no #ABX21, evento online realizado nesta semana.
Gil Giardelli, cofundador da 5era, professor e estudioso da era digital, estava agendado para participar do debate, mas não pôde comparecer. Ele enviou um vídeo que abriu o painel, no qual falou sobre a aceleração digital causada pela pandemia. “Muito mais que tecnológica, a principal transformação é a cultural”, afirmou ele. “As pessoas estão muito amedrontadas com as mudanças e criando silos, então elas são contra essa transformação. Todos os dias, vamos ter que fazer a gestão da mudança e a mais difícil é a nossa. As pessoas gostam de ficar no operacional, mas o operacional pode ser substituído por robôs e processos de automação”, afirmou.
Ao iniciar a conversa com os convidados, a mediadora Giovanna Riato, editora executiva de Automotive Business, perguntou sobre quais os passos que a indústria automotiva ainda precisa dar para atingir um amadurecimento digital. Avólio começou respondendo.
“No meu ponto de vista, o jogo a ser jogado é oferecer soluções que atendam as dores individuais de cada cliente em sua jornada”, disse o executivo. “O ambiente físico continua sendo uma opção para esse cliente, então o poder de escolha ainda está em posse dele. É muito importante olhar pela perspectiva de que a tomada de decisão é pautada colocando o cliente no centro”, ponderou.
Já Silva apontou que o setor também tem seus desafios. “As empresas vêm há muito tempo falando sobre tecnologia, sobre mobilidade, mas tudo era para o futuro”, afirmou ele. “Isso mudou da água para o vinho com a pandemia. A gente teve que acelerar as inovações que eram para o futuro e elas foram implementadas em questão de meses. Inclusive, as empresas que estão implementando também estão com dificuldades para acompanhar tamanha demanda pela tecnologia”, explicou.
Sustentabilidade de multiverso
Em seguida, Giovanna falou sobre a pesquisa Liderança no Setor Automotivo 2021. O estudo apontou que, com a pandemia, os gestores do setor passaram a focar mais o longo prazo e a construir soluções para o futuro, pensando na relevância de suas organizações em outro contexto. Como é esse planejamento quando se depende de tecnologias que não sabemos nem quando ficarão prontas?
“No longo prazo, o ideal é que todas as empresas de mobilidade estejam voltadas para a sustentabilidade”, disse Silva. “É isso que estamos buscando nas tecnologias que estão sendo implementadas. Quando falamos de planejamento, fica mais complicado, mas não é impossível. Muitas vezes, a tecnologia de que precisamos nem sabemos se existe ou se está disponível”, afirmou.
Avólio complementou dizendo que, na Audi, o plano já começa a ir além da sustentabilidade. “Aqui na Audi, o que a gente coloca como elemento de longo prazo é sempre olhar para a jornada do cliente e ver qual tecnologia pode ser aplicada no curto prazo”, disse ele. “O período pandêmico nos permitiu fazer alguns testes com vendas online, com a questão de oferecer locação pro cliente usufruir em vez da posse. Para a venda de peças, nós temos agora um projeto com o Mercado Livre”, contou.
O próximo assunto foi o metaverso, uma suposta nova fase da internet que recriará o mundo real em forma digital e permitirá que as pessoas interajam como avatares. Avólio disse que ainda não se sabe se será possível recriar a experiência sensorial da direção de um carro no metaverso, mas que nem por isso ele deixará de ser útil.
“Para experiência de marca, acho que o metaverso vai trazer muita oportunidade”, disse o executivo da Audi. “O teste para quem está longe, a questão do apelo do design, o funcionamento de tecnologias no veículo, a interatividade no atendimento para dúvidas… o metaverso só vem a somar. Vamos encará-lo como uma grande oportunidade de negócio. É mais uma rota pro cliente”, diagnosticou.
Silva disse que enxerga o metaverso como um facilitador de experiências que já podem ser geradas. “No aftermarketing, a ZF vem criando o que chamamos de ecossistema, que é integrar tudo que temos de tecnologia para que, desde o momento em que a peça começa a ser produzida, a gente possa fazer o acompanhamento dela. Mais do que entregar uma peça hoje em dia, nós entregamos experiências. Se o cliente compra embreagem, ele quer receber em condições adequadas, no prazo estipulado, então é uma experiência. O multiverso vem pra isso”, observou.