
Celso Duarte, supervisor de engenharia avançada na Ford, destacou que o mercado competitivo exige das montadoras mais eficiência de manufatura, material e combustível. “Apesar disso, a tecnologia não é o único foco. Qualquer novidade deve ser financeiramente viável e representar um ganho de custo ou produção para as empresas”.
O executivo aposta em maior diversificação nos materiais. Para ele, a homologação de novas chapas de aço, menos espessas e mais leves para competir no novo cenário, o avanço do alumínio e a maturidade dos compósitos plásticos devem ditar as regras no setor nos próximos anos.
Outra prioridade é adaptar a filosofia dos três R’s ao setor automotivo – redução, reciclagem e reutilização. Entre as iniciativas da Ford nesse sob esse conceito está o tapete feito 100% de material de garrafa PET reciclada e o aproveitamento de sobras de confecções nos tecidos e carpetes.
Luiz Zamora, gerente de engenharia de materiais da PSA, destaca que o reaproveitamento de materiais e a preocupação com o ciclo de vida do automóvel também estão presentes na montadora francesa. O engenheiro esclarece que a meta da companhia é que 20% do veículo representem materiais verdes em 2011.
Em 2015 o percentual saltará para 30%, entre fibras naturais e óleos. “Há exigências ambientais severas no exterior que devem chegar ao Brasil em breve”, garante.
Gustavo Scarponi, da engenharia de materiais da Renault, concorda que o desenvolvimento automotivo depende muito mais das regras em relação ao meio ambiente. O executivo destaca que o futuro do setor está também relacionado à presença de plataformas globais e da integração para o fornecimento dos materiais ao redor do mundo.
Alumínio
A presença do alumínio nos carros gera uma discussão à parte. Alguns apostam no aumento da presença do material, outros acreditam que o custo de processos com o metal não deixará que ele ganhe tanto espaço.
Ayrton Filleti, coordenador do comitê Mercado Transportes da Abal – Associação Brasileira do Alumínio, destaca que a possibilidade infinita de reciclagem do alumínio acaba se traduzindo em vantagem do material sobre o aço. “O alumínio também oferece ganho de segurança, com maior absorção de impacto”, aponta.
Segundo o dirigente, a melhora de eficiência nos automóveis será resultado da evolução do powertrain combinada com a redução de peso dos carros. “O alumínio será uma boa opção. O potencial de redução no peso com aço é de até 11%. Já no alumínio este número salta para 40%”, defende.
Ed Juarez, gerente de produtos, soluções e inovações da Usiminas, não projeta que o alumínio ganhe a briga apenas por conta do menor peso. Segundo ele, apesar da maior divisão de espaço com o metal e compósitos plásticos, o aço garante presença com menores espessuras e maior resistência.
“A indústria do aço está consciente de que a arquitetura do automóvel mudará radicalmente nos próximos anos, mas estamos prontos para os desafios”, determina o executivo.

Fotos: alto à esquerda: Celso Duarte, da Ford; Acima: Ayrton Filleti, da Abal, à esquerda, e plateia do simpósio Materiais Automotivos e Nanotecnologia/Ruy Hizatugo.
Fonte: Giovanna Riato, para Automotive Business.
