
Os Estados Unidos decidiram apertar o cerco contra os veículos de origem chinesa em um novo front. Depois de intervir no comércio exterior com o aumento do imposto de importação, sob o argumento de proteger o seu mercado interno, o país agora pretende impor barreiras para softwares, peças e componentes desenvolvidos na China.
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O Departamento de Comércio dos Estados Unidos planeja, portanto, criar regras para incidir sobre veículos conectados já em agosto, com barreiras a softwares feitos na China e em outros países considerados adversários.
Carros conectados têm hardware de rede integrado a bordo que permite acesso à internet, possibilitando o compartilhamento de dados com dispositivos dentro e fora do veículo. Para os EUA, isso representa uma questão de segurança nacional.
O Ministério das Relações Exteriores da China reagiu. Não faz muito tempo a pasta já havia instado os Estados Unidos a “respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência justa” – o país, inclusive, recorreu à Organização Mundial do Comércio.
Não apenas representantes do governo, mas empresas chinesas também estão se manifestado sobre o assunto.
A maior delas no segmento de elétricos, a BYD, chegou a afirmar que as acusações de competição desleal – uma das alegações dos Estados Unidos contra os veículos da China – não passam de “mentiras contadas por competidores ocidentais”.
“É comum as empresas tradicionais que não conseguem acompanhar a tecnologia passarem a acusar a China de concorrência desleal. O que as empresas não veem é que na própria China há uma concorrência interna muito forte entre as companhias locais. A competição traz inovação”, disse a CEO da BYD, Stella Li, em maio.