
Segundo Moan, os sindicalistas levaram para casa durante o feriado prolongado a proposta de salário base de R$ 1.570 a R$ 2.500 para novas contratações na unidade de São José dos Campos, além de participação nos lucros e resultados (PLR) limitada a 2,5 salários, com teto de R$ 8 mil.
De acordo com nota do sindicato, a reunião da quarta-feira terminou sem acordo porque a empresa que efetuar novas demissões na unidade. “A GM quer demitir mais 900 trabalhadores e arrancar ainda mais direitos dos metalúrgicos. No último ano, a empresa já fechou 927 postos de trabalho, apesar de não ter qualquer sinal de crise financeira”, afirma a entidade.
Em março passado a GM confirmou o desligamento de 598 funcionários ligados à MVA, sigla para Montagem de Veículos Automotores, área onde eram produzidos diversos modelos que saíram de linha (Zafira, Corsa e Meriva) e só continua a montar o Classic até o fim deste ano. Agora, segundo os sindicalistas, a empresa quer enxugar ainda mais o quadro na planta antes de iniciar qualquer investimento. Existe a possibilidade de abertura de um plano de demissão voluntária (PDV).
ESVAZIAMENTO E NEGOCIAÇÃO
Após anos de conflitos com o sindicato local, a GM adotou a estratégia de esvaziar parte da planta, que também faz motores, transmissões e a nova geração da picape S10 e do SUV Trailblazer, linha que recebeu os investimentos mais recentes, de R$ 850 milhões. A planta foi contemplada com a menor porção do programa de R$ 5 bilhões da GM Brasil, que terminou em 2012. Apesar de investir na linha de utilitários em São José, a companhia concentrou em São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS) todo o resto de sua renovação de produtos no País nos últimos dois anos, deixando a unidade no Vale do Paraíba ociosa – provavelmente para forçar negociações e dobrar o sindicato.
Conforme informou Moan, só falta flexibilizar a questão trabalhista para candidatar a fábrica ao novo investimento. Esta era uma das quatro condições determinadas pela empresa para receber a nova linha de produção. As outras três, segundo o executivo, já estão garantidas, incluindo benefícios fiscais municipais e estaduais, obras de infraestrutura no entorno da planta e a criação de um distrito industrial que deve abrigar fornecedores da montadora, alguns deles ainda sem presença no País.
Apesar da confiança de Moan de chegar a um entendimento, as declarações dos sindicalistas após a reunião da quarta-feira não são das mais acolhedoras. “A GM não está em crise financeira e já tem recebido muito dinheiro público, que deixa de ser investido em saúde, educação e outras áreas sociais. O poder público tem é de se preocupar em garantir empregos, salários e direitos aos trabalhadores”, afirmou em nota o presidente do Sindicato de São José dos Campos, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá.