
– Veja aqui os dados da Anfavea
O ritmo da indústria automotiva não respondeu nem mesmo ao leve aquecimento que as vendas tiveram recentemente. Segundo a Anfavea, em novembro a média diária de emplacamentos saiu da casa dos 13 mil e ficou em 14,7 mil veículos por dia. Luiz Moan, presidente da etidade, avalia que a indústria precisa equilibrar os estoques antes de acompanhar qualquer evolução da demanda. O número de carros armazenados aumentou mais uma vez e chegou a 414,3 mil unidades entre indústria e rede de concessionárias. O volume equivale a 42 dias de vendas. “Temos duas formas de reduzir isso: elevando as vendas ou reduzindo a produção”, esclarece.
O primeiro movimento começa a acontecer lentamente, estimulado pela nova legislação, que permite que os bancos tomem o carro de clientes inadimplentes com mais facilidade (leia aqui). Segundo o dirigente, a regra reduziu o risco para o banco, o que estimula a oferta de crédito e pode se traduzir em taxas de juros menores. A segunda medida, de redução da produção, também já foi tomada pelas montadoras, que anteciparam férias coletivas, adotaram layoffs – suspensão temporária dos contratos de trabalho e diminuíram o quadro de funcionários por meio de Programas de Demissão Voluntária (PDV).
O número de trabalhadores nas montadoras chegou a 146,2 mil em novembro. A redução é expressiva na comparação com o mesmo mês de 2013, com o corte de 12,5 mil vagas. Apesar disso, a Anfavea assegura estar cumprindo o compromisso firmado com o governo federal em maio de 2012, quando o setor prometeu manter o nível de empregos caso o IPI dos automóveis fosse reduzido. “Na época da negociação o setor tinha 147 mil colaboradores então estamos completamente dentro do acordo”, assegura Moan. Segundo ele, os cortes feitos desde então estão dentro de exceções já previstas, como PDVs, fim de contratos temporários, pedidos de demissão dos próprios funcionários e ainda aposentadorias que ocorreram no período.
A Anfavea vai esperar os dados de dezembro para traçar as projeções para a produção de veículos em 2015. A entidade adianta que não espera recuperação consistente, apenas que seja mantido o ritmo do segundo semestre deste ano, que tem apresentado resultados melhores do que o primeiro. A organização estima que, se o patamar continuar o mesmo, os resultados do próximo ano serão sutilmente melhores do que os de 2014.
Até novembro o segmento que puxou para baixo a produção de veículos foi o de caminhões, com expressiva queda de 24,2% sobre o mesmo período de 2013, para 136,2 mil veículos. A fabricação de ônibus encolheu 15,9%, para 32,3 mil chassis. Com 2,77 milhões unidades saídas das linhas de montagem,
CAPACIDADE OCIOSA
O cenário de demanda por veículos contraída e a inauguração de novas plantas no Brasil refletem na menor utilização da capacidade produtiva. A Anfavea não tem o número exato do potencial produtivo do Brasil. “Estamos refazendo o estudo porque o número tinha algumas distorções”, conta Moan. O presidente estima que a capacidade da indústria local esteja em torno de 4,3 milhões de veículos por ano. “Mas este número é apenas um palpite”, admite. Se o potencial real estiver próximo do estimado pelo executivo, a ociosidade da indústria nacional poderá beirar os 25%, um pouco acima dos 20% considerado o nível normal para o setor.
A projeção divulgada pela Anfavea para a produção de veículos este ano é de 3,33 milhões de unidades, com retração de 10% na comparação com 2013. Ainda assim, é bastante improvável que o resultado fique neste nível, já que seria necessário fabricar 388 mil unidades em dezembro para chegar ao patamar.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea, para a ABTV:
