Presidente do Grupo Iharrington LLC, Lisa Harrington, que também é professora de gestão logística da Faculdade de Negócios Robert H. Smith da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, parte da experiência das montadoras Toyota, Honda, Subaru, Suzuki, Nissan, Mazda e Mitsubishi, fortemente atingidas pela interrupção do fornecimento de componentes após o desastre causado por terremoto e tsunami que assolaram o Japão em março de 2011, e reavalia o modelo comercial lean (enxuto).
“A indústria automotiva tornou-se ciente do fato de que, embora seu modelo comercial just-in-time enxuto e sua cadeia de suprimentos altamente interdependente fossem muito eficientes, também eram frágeis, suscetíveis a interrupções em uma escala potencialmente enorme. Resumindo, as cadeias de suprimentos no modelo just-in-time tradicional não eram resilientes e, por isso, estavam sujeitas a um risco de falha cada vez maior”, aponta Lisa no documento.
Em contrapartida a situação das japonesas, a pesquisa mostra como modelos diferenciados de suprimento, citando o da General Motors, superou a dificuldade inesperada do desastre natural, que paralisou diversas fornecedoras globais.
“A GM passou por uma situação semelhante, com uma diferença essencial: criou redundância suficiente em sua cadeia de suprimentos, estando preparada para reconfigurar de forma dinâmica sua rede de suprimentos e valores, garantindo assim a produção contínua de seus veículos mais lucrativos.”
A pesquisa alerta que os novos planos estratégicos de logística devem passar por questões que considerem as tendências que estão moldando o setor automotivo: crescimento global sustentado por emergentes, mega plantas e plataformas múltiplas, aproximação com o cliente (parque de fornecedores) e redução de custos. Além disso, as cadeias devem contar com incidentes não previstos, como desastres naturais ou paralisações por questões trabalhistas. O documento cita o fechamento de portos como exemplo:
“Quando questões trabalhistas ameaçaram fechar determinados portos na costa leste dos Estados Unidos, a potencial greve também ameaçou a produção de automóveis. Conforme as negociações trabalhistas se desenvolveram, alguns trabalhadores pararam e outros não. Antecipando-se ao fechamento dos portos, uma empresa em serviços logísticos estabeleceu uma organização de contingência com linhas de transporte hidroviário para transportar os materiais até portos alternativos. A companhia também identificou fornecedores alternativos em outras partes do país para materiais essenciais, caso fosse necessário mudar o fornecedor. O sistema de contingência funcionou e a empresa automotiva não sofreu qualquer impacto em virtude das questões trabalhistas que surgiram. O mesmo sistema foi aplicado para direcionar o fluxo de automóveis de um cliente para portos no sudeste devido ao avanço do furacão Sandy, que devastou a costa nordeste, evitando, dessa forma, qualquer interrupção.”
Veja o estudo completo aqui.