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Agência Estado
Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a inflação acumulada do etanol (hidratado e anidro, que é misturado à gasolina no País) atingiu em 2011 o maior patamar em oito anos em um mês de junho. Em comportamento atípico para o período de plena safra de cana-de-açúcar, o anidro no atacado subiu 46,08% em 12 meses e o hidratado acumula alta de 29,12% em 12 meses para o consumidor final.
Feito a pedido da Agência Estado, o estudo indica que o impacto chegou ao varejo e elevou os preços do álcool combustível e da gasolina para o consumidor.
O quadro de preços altos e carência de oferta de etanol tende a se manter nos próximos dez anos, revela outro estudo, feito pela consultoria Projeto Brasil Sustentável, especializada no segmento sucroalcooleiro. Mantidas as recentes taxas de evolução do setor, nas próximas cinco safras haverá déficit de mais de 25% da oferta de etanol em relação à demanda. A produção anual estimada será de 780 milhões de toneladas de cana, enquanto o mercado só estará bem atendido com um mínimo de 980 milhões de toneladas.
Na extensão do cenário para dez safras, a situação piora. Em 2021, a oferta de etanol estará 40% menor do que a necessidade do mercado. A safra será de 970 milhões de toneladas para um consumo superior a 1,3 bilhão.
A atual oferta de cana não consegue atender à crescente demanda por açúcar e etanol, alerta o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. “Os preços deveriam estar caindo nesta época.”
O etanol mais caro afeta a evolução dos indicadores inflacionários do varejo. O preço do etanol gerou migração de consumidores para a gasolina, que tem anidro na fórmula. No Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), calculado pela FGV, o álcool combustível hidratado, consumido puro, acumula alta de 29,12% em 12 meses, enquanto a gasolina subiu 7,7%, o mais forte aumento do derivado de petróleo em cinco anos para o período.
No Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de julho, prévia do IPCA, referência da meta inflacionária usada pelo Banco Central, os combustíveis tiveram trajetória incomum, diz a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. O preço da gasolina caiu 3,43% em junho e 1,49% em julho, reduzindo pela metade o ritmo de queda. Já o etanol subiu 1,79% em julho, após cair 16,53% em junho. Juntos, os combustíveis respondem por cerca de 4,5% do IPCA e normalmente recuam nesta época do ano, segundo a coordenadora. “Pelo que observamos na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o peso do etanol tende a aumentar no IPCA”, disse Eulina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.