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Etanol para trabalho pesado no ciclo Otto

A Sygma Motors trabalha em um projeto ambicioso para desenvolver tecnologias que levem motores médios e pesados funcionando sob o ciclo Otto e alimentados a etanol a competir em desempenho e eficiência com propulsores Diesel ao longo de todo o seu mapa operacional.
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01 dez 2009

3 minutos de leitura

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Em entrevista à revista Automotive Business, Marcos Langeani, diretor técnico da empresa, disse estar seguro de que os resultados atuais já permitiriam introduzir esses motores em aplicações onde o etanol tem baixo custo, como em usinas de álcool que produzem o seu próprio combustível.

O engenheiro, que dedicou boa parte da carreira a atividades nas áreas de powertrain e tecnologia da Dana, Ford, CTA e Embraer, reconhece que ainda é cedo para cantar uma vitória. Ele sabe que o diesel é o combustível padrão nas frotas de veículos comerciais e não será fácil deslocá-lo de uma forma ampla dessa posição.

Obter eficiências equivalentes às dos motores Diesel modernos em plena carga não apresenta um grande desafio, como bem demonstram alguns dos grandes motores a gás natural disponíveis no mercado para a geração de energia elétrica; estender esses ganhos para cargas parciais, por um lado, e para as pressões médias efetivas máximas típicas dos motores Diesel mais carregados, por outro lado, sim.

“Vamos chegar lá, com a evolução nos processos de formação de mistura e combustão do etanol e com sistemas eletrônicos avançados” – garante Langeani.

Com a Vale

A Sygma Motors não está sozinha nesse empreendimento tecnológico. Ela tem o suporte da VSE, braço da Vale para o desenvolvimento de soluções na área de energia, e do BNDES. A Vale é o maior consumidor de energia no país e tem um grande interesse em soluções envolvendo fontes de energia renováveis.

Nos laboratórios, sob o abrigo da VSE no Parque Tecnológico de São José dos Campos, SP, testes são conduzidos em motores monocilíndricos especialmente construídos para investigação com o etanol. A tecnologia sofisticada abrange sistemas a laser para caracterização de spray e combustão. Dos 38 especialistas, metade são pós-graduados.

Langeani admite que a aplicação de algumas tecnologias mais avançadas pode ter algum impacto no custo em relação às configurações mais tradicionais dos motores Otto. “Apostamos, no entanto, que o custo final será menor em relação a motores Diesel”. Embora o esforço atual seja voltado para motores médios e pesados, ele avalia a possibilidade de aplicar o know how obtido também a motores pequenos.

Reduzir emissões

Um dos principais atrativos da proposta em estudo é a redução de emissões. Enquanto um motor Diesel exige investimentos pesados para obedecer as regras da fase P7 do Proconve, equivalente a Euro 5, ele acredita que o sistema a etanol permitiria passar com maior facilidade pela prova utilizando apenas catalisadores convencionais.

Para ele, ao chegar a hora do Euro 6 a questão ficará ainda mais favorável ao álcool. Especialistas já aceitam que o pós-tratamento de emissões do motor diesel nessa fase terá o mesmo custo de um motor completo. Aí, soluções como a proposta pela Sygma Motors prevaleceriam.

O etanol também iria bem em motores do ciclo Diesel? Parece que não. Luso Ventura, hoje diretor da Netz Engenharia, participou de testes quando trabalhava na Mercedes-Benz, nos anos setenta, e admite que os resultados não foram satisfatórios.