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Mário Curcio, AB
Neste segundo dia do Ethanol Summit, que termina nesta terça-feira, 7, no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, o presidente da Anfavea e do Grupo Fiat, Cledorvino Belini, abriu a seção plenária do evento com o tema “A Cana-de-Açúcar e a Economia de Baixo Carbono”. Belini defendeu a utilização dos carros flexíveis e do etanol, apoiando-se em fatos históricos. Lembrou que o Brasil fez os primeiros testes com álcool em automóveis já em 1925 e começou a adicionar álcool à gasolina (de 3% a 5%) em 1931.
O presidente da Anfavea ressaltou também a importância do Proálcool, lançado em 1975. Dez anos depois do programa, 95% dos automóveis saíam de fábrica com motores movidos pelo combustível verde. “A cana-de-açúcar ajuda a reduzir a pobreza no campo e o álcool contribuiu para nossa auto-suficiência na produção energética”, disse Belini. “Não há conflito na produção de álcool e de alimentos”, afirmou.
O vice-presidente de transformações de mercado da WWF, Jason Clay, expôs dados que se opõem à opinião de Belini. Para Clay, é mesmo possível aumentar a produção de álcool, mas é necessário ter mais atenção ao processo produtivo, por conta dos problemas ambientais. Ele usou como exemplo a indústria alimentícia: “25% dessas companhias são responsáveis por 50% do impacto ambiental.”
O ex-ministro do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, defendeu o combate ao transporte individual: “Um terço dos problemas ambientais é causado pelo petróleo”, disse. O professor da Universidade de São Paulo apresentou um estudo que mostra o consumo de gasolina e de álcool no Brasil e no mundo e projeta um aumento da utilização de etanol até 2022. Ele ressalta também a superioridade do álcool de cana do ponto de vista ambiental: “O etanol produzido pelos Estados Unidos a partir do milho consome energia elétrica gerada pela queima de carvão, que gera grande emissão de monóxido de carbono”, recorda Goldenberg.
Conheça a história do álcool combustível no Brasil
1925 – Primeiros testes com etanol como combustível veicular;
1931 – Etanol começa a ser misturado na gasolina brasileira;
1975 – Governo lança o Proálcool;
1979 – Têm início as vendas de veículos a álcool;
1985 – Carros a etanol atingem 95% das vendas de veículos no País;
2003 – Primeiro carro flexível (VW Gol 1.6) chega ao mercado;
2010 – Produção de veículos flexíveis atinge 12 milhões de unidades.