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Pedro Kutney, AB
As grandes companhias petrolíferas parecem não ter dúvidas sobre a estratégia mais adequada para garantir seu futuro diante do cenário da nascente economia de baixo carbono: todas falam em fortes investimentos em biocombustíveis, com ênfase no etanol e mais ênfase ainda no agrocombustível derivado da cana de açúcar. “Até agora a cana é a melhor molécula que a natureza criou para a geração de energia”, avaliou Phillipe Boisseau, CEO de gás e energia da Total, durante sua palestra no Ethanol Summit 2011, que começou em São Paulo nesta segunda-feira, 6, e prossegue até esta terça-feira.
No painel “O Futuro do Petróleo e o Papel dos Biocombustíveis”, todos os representantes de empresas petrolíferas (quatro no total) revelaram investimentos na produção de etanol a partir da cana de açúcar, apostando no firme crescimento do consumo mundial do agrocombustível nos próximos anos. “O etanol deverá representar de 5% a 10% de nossos negócios em mais alguns anos”, disse Boisseau, revelando também que a Total já fechou contrato com a empresa de biotecnologia Amyris para pesquisa e desenvolvimento de etanol de segunda geração, destilado a partir de celulose, incluindo o próprio bagaço da cana.
O consumo de etanol no mundo deverá atingir 6,5 milhões de barris equivalentes de petróleo por ano até 2030, o dobro do que é hoje, segundo projeções da BP. Philip New, CEO de biocombustíveis da companhia, destacou em sua apresentação que 40% do aumento do consumo de combustíveis líquidos no mundo deverão ser supridos por biocombustíveis. “Vemos claramente o petróleo cedendo espaço para os biocombustíveis e eletricidade”, avaliou.
O executivo também ressaltou o custo competitivo do etanol brasileiro, de cerca de US$ 50 por barril, quase o mesmo do petróleo retirado de águas profundas e US$ 10 mais barato do que o etanol de milho produzido nos Estados Unidos. “A cana é a mais sustentável e produtiva fonte de etanol”, disse New.
Decisão estratégica
Miguel Rosseto, presidente da Petrobras Biocombustíveis, destacou a decisão estratégica da estatal brasileira, que em março de 2008 criou a divisão para investir na produção de biocombustíveis, em parceria com grupos usineiros já estabelecidos. Para Rosseto, esse será o futuro do negócio: “Petróleo, gás e carvão continuarão a ser as principais fontes primárias energéticas do mundo, mas existe uma agenda de mitigação dos efeitos desse consumo que é definitiva. Os biocombustíveis fazem parte dessa agenda e a Petrobras precisa estar preparada para isso.”
“O Brasil é o país mais eficiente do mundo para se produzir etanol e a cana é a cultura mais sustentável. Por isso firmamos aqui uma joint venture com a Cosan”, disse Mark Gainsborough, vice-presidente de portfólio e energias alternativas da Shell. A associação brasileira da empresa poderá produzir até 2 bilhões de litros por ano de etanol.
Contraponto
O investidor Vinod Khosla, presidente da Khosla Ventures, fez o contraponto do painel. Para ele, a indústria do petróleo ainda investe aquém do necessário em biocombustíveis. Khosla avalia ainda que a cana não será a principal fonte de biocombustível no futuro, mas sim a biomassa: “Em mais um ou dois anos poderemos produzir açúcares de biomassa com a mesma eficiência da cana”, projetou.