Na apresentação de abertura do evento, Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), destacou que a oferta de etanol no País cresce 20% por ano, mesmo no cenário de crise atual. “Esse volume já é suficiente para contribuir com pelo menos 5 bilhões de litros de gasolina que deixaram de ser importados e a mitigação de uma quantia equivalente a 10 milhões de toneladas de carbono (CO2)”, disse Pogetti.
A produção de etanol no Brasil praticamente dobrou nos últimos 10 anos, saltando de 14 bilhões de litros no início da década passada para quase 28 bilhões em 2015. O principal vetor desse crescimento foi a adoção da tecnologia de motores bicombustível (flex), que rodam tando com gasolina como com álcool e hoje representam perto de dois terços da frota brasileira de veículos leves, algo como 21 milhões de unidades. Contudo, a manutenção dos preços da gasolina em níveis artificialmente baixos causou perdas pesadas ao setor, fazendo a produção recuar para menos de 23 bilhões de litros entre 2011 e 2013. Com isso, segundo a Unica, de 2008 para cá, no Centro-Sul (região responsável por mais de 90% da produção) 80 usinas fecharam as portas, 67 estão recuperação judicial e 10 podem ser fechadas ainda em 2015.
A expectativa de melhora nas condições do setor vem de uma combinação de fatores: no ano passado o governo reduziu a tributação do PIS/Cofins sobre o etanol e este ano voltou a taxar a gasolina com a Cide; a alta do dólar tornou mais caras as importações de petróleo; a Petrobras voltou a reajustar o preço da gasolina com maior intensidade; e mais recentemente, em março, foi autorizada a ampliação de 25% para 27% da mistura de etanol anidro na gasolina, o que eleva obrigatoriamente o consumo do biocombustível – a Unica estima que a medida trará demanda extra de 1,1 bilhão de litros, o equivalente à moagem adicional de 14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Em mensagem gravada para o Ethanol Summit, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) reforçou a importância do setor e sua participação cada vez maior na matriz energética brasileira. “Demos pequenos passos para sinalizar ao segmento que teremos um futuro promissor”, disse a ministra, referindo-se à adoção da Cide para a gasolina e o aumento da mistura de etanol na gasolina.
Com os incentivos, o etanol ganhou competitividade e, de acordo com projeções da Unica, a produção este ano pode superar os 28 bilhões de litros, o que será o melhor resultado histórico do setor.
Também presente na seção plenária de abertura do Ethanol Summit, Aldemir Bendine, presidente da Petrobras, reafirmou o compromisso da empresa em manter uma política de preços de acordo com o mercado. “O etanol é importante para que se diminua cada vez mais a importância do refino, e a Petrobras vai continuar buscando o desenvolvimento de uma matriz energética limpa a partir de outras alternativas”, afirmou o executivo.
Na segunda plenária do evento, que teve como tema o impacto da nova realidade do petróleo no pré-sal e nos biocombustíveis, o professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), destacou a importância de se transformar o etanol em commodity, para garantir previsibilidade e competitividade ao biocombustível nacional. Para ele é necessária a formação de preço via leilões para etanol hidratado e, possivelmente, também para o anidro, além da realização de um cálculo semanal de preços, entre outras medidas.