
Após a desistência do presidente dos EUA, Joe Biden, de concorrer á reeleição, e com a possível nomeação de Kamala Harris como a candidata do Partido Democrata, muitos estão se perguntando: qual será a sua postura diante dos temas econômicos?
Boa parte dos analistas acreditam que Harris não deve se distanciar muito do que o presidente já pregava em sua campanha, principalmente nas políticas de incentivo industrial e de descarbonização que já estão na agenda mais progressista do partido.
VEJA MAIS:– Donald Trump acena para montadoras chinesas de veículos elétricos
– Estados Unidos estudam barreiras às peças da China
No início do mês, o presidente Joe Biden concedeu incentivos da ordem de US$ 1,7 bilhão à indústria automotiva para que desenvolva suas linhas de produção de veículos elétricos, além de autopeças como baterias.
Esses subsídios irão para mais de dez fábricas fechadas ou ameaçadas, localizadas em oito estados diferentes.
Estas concessões, que fazem parte da Lei de Redução da Inflação, um plano emblemático do presidente democrata Joe Biden, serão dirigidas em particular a empresas localizadas nos estados da Geórgia, Michigan e Pensilvânia.
Harris deve manter políticas de Biden para o setor automotivo
Essa medida foi um complemento à taxa de 100% aos veículos elétricos importados da China que foi anunciada em maio deste ano. “Descarbonização é uma pauta do Partido Democrata e eles têm objetivos fortes em relação à necessidade de todas as montadoras partirem para veículos mais eficientes. Além disso, pregam por uma proteção à indústria americana”, disse Cássio Pagliarini, da Bright Consulting. “É um tema tratado por Biden e será pela Harris.”
Antonio Jorge, da Federação Getulio Vargas (FGV), também acredita que Harris deve manter o discurso de Biden em relação às propostas e medidas para o setor automotivo americano. Segundo ele, a política do Partido Democrata tem se voltado muito para a proteção do setor industrial como um todo, porque, de uma forma geral, é uma atividade que investe em tecnologia e o que mais gera emprego.
“A China vem atuando de maneira muito forte no setor automotivo e Biden tem aplicado medidas para inibir as importações chinesas, mas vinculando que as empresas que estão nos EUA consigam evoluir mais que a China. A Harris tende a manter o padrão”, disse Jorge.
Na economia como um todo, Harris deve ser alternativa a Trump e Biden
Para o professor Carlos Gustavo Poggio Teixeira, o desafio de Harris, nesta campanha será se diferenciar não somente de Donald Trump, o candidato do Partido Republicano, mas também de Joe Biden, quando o assunto for economia.
“O que indicam as pesquisas que um dos temas mais importante para o americano médio, o mais fundamental é a economia. Harris terá de ter um argumento mais contundente do que Biden para mostrar que a economia vai bem”, disse Poggio durante entrevista na Globo News.
Na segunda-feira, 22, Harris apresentou sua mensagem econômica em um breve discurso à equipe de campanha em Delaware, focando fortemente em políticas de apoio à classe média.
“Acreditamos em um futuro em que cada pessoa tem a oportunidade não apenas de sobreviver, mas de progredir”, disse Harris. “É por isso que acreditamos em um futuro onde nenhuma criança tenha que crescer na pobreza, onde cada pessoa possa comprar uma casa, começar uma família e construir riqueza.”
O desafio de Harris é mostrar que ela não estava diretamente ligada às políticas de controle de inflação nos EUA. E isso será fundamental para o sucesso da campanha porque segundo uma pesquisa da The Economist/YouGov mostrou que os eleitores desaprovam a forma como Biden lida com empregos e a economia, 51% a 39%.
“A pergunta é: qual vai ser a capacidade dela de atrair o eleitor independente? As pesquisas indicam que o americano acredita que Trump é melhor para a economia do que os democratas e essa é a grande questão dessa eleição”, ressaltou Poggio.
