
Falta pouco menos de um mês para a Fenatran, a maior feira de veículos pesados do continente, e, a julgar pelo que algumas montadoras já adiantaram em termos de produtos, a tônica do evento será a descarbonização.
E não poderia ser diferente, uma vez que o tema monopoliza o debate no setor de mobilidade, em função das metas de cada país para reduzir as emissões de CO² e outras partículas poluentes.
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Até agora, a Scania anunciou um modelo elétrico inédito para o mercado brasileiro, o que foi uma surpresa interessante, considerando que até então a possibilidade era vista como remota pelos seus executivos. Os esforços voltados para motores a gás eram mais proeminentes.
A Mercedes-Benz, por sua vez, vai apresentar ao público da feira o novo Accelo, com cabine renovada e melhorias que promovem eficiência no consumo e reduzem as emissões.
Esses primeiros movimentos das montadoras, impulsionados pela Fenatran, mostram que, por aqui, o diesel ainda terá uma vida relativamente longa, cenário semelhante ao observado em mercados mais desenvolvidos no exterior.
Em setembro, durante o Salão de Hannover, ou IAA Transportation, AB observou que a maioria das fabricantes expositoras tinha mais a dizer sobre eletrificação em comparação com a última edição da feira, em 2022.
A própria Mercedes apresentou na Alemanha uma oferta robusta de caminhões equipados com motorização elétrica, que contracenou com modelos a diesel que ainda parecem ter muito a oferecer.
Aqui está um ponto importante: mesmo que as fabricantes estejam certas de que o futuro é elétrico, elas ainda precisarão se concentrar no desenvolvimento de motores a diesel mais eficientes.
Euro 7 vai aumentar os custos das montadoras de caminhões
Isso é crucial porque envolve altos custos. Não à toa, executivos de alto escalão das montadoras vieram a público em algumas ocasiões para criticar os prazos que a Europa estipulou para a implementação da norma Euro 7, prevista para começar em 2031 para caminhões e ônibus.
“As montadoras estão preocupadas porque os custos aumentam. São muitas frentes para investir, e talvez não haja recursos suficientes no futuro para cobrir todas elas”, disse Roberto Leoncini, ex-VP de vendas de caminhões da Mercedes-Benz e atual conselheiro da companhia.
Questionada pela AB sobre a saúde financeira do Grupo Daimler, controlador da Mercedes, a CEO Karin Rådström afirmou que a empresa está em condições de financiar tanto seu futuro elétrico quanto o de combustão, embora áreas prioritárias de investimento serão definidas.
Em uma longa caminhada pela feira em Hannover, a reportagem da AB observou que a maioria das montadoras seguiu essa linha da Mercedes-Benz — estandes construídos em torno dos modelos eletrificados, com um ou outro modelo a combustão discretamente posicionado, como se dissesse “olá, ainda estamos aqui”.
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Embora a Euro 7 entre em vigor na Europa em 2031, no Brasil a norma provavelmente será implementada anos depois, como ocorreu na transição da Euro 5 para a regulamentação atual, a Euro 6. Isso não significa, contudo, que o tema não esteja sendo discutido pelas empresas que operam localmente.
“Teremos o Euro 7, sem dúvidas. É um trabalho de desenvolvimento que já começa agora. Mas ainda não sabemos se a norma entrará em vigor no longo prazo ou se precisaremos de mais tempo para que todos possam investir — nós e os consumidores”, disse Walter Barbosa, vice-presidente de ônibus da Mercedes.
Assim como nas fases anteriores, a nova norma será ainda mais rígida que a atual. A expectativa é que a Euro 7 envolva, além das emissões dos motores a diesel, também emissões dos sistemas de frenagem e dos pneus, por exemplo.
