A Alemanha argumenta que a meta pode ser alcançada mais facilmente pelas empresas que produzem carros compactos, como as francesas Renault e PSA Peugeot Citröen e a italiana Fiat. Já montadoras como Daimler e BMW, que produzem veículos maiores e mais potentes, enfrentariam outros obstáculos. O país considera essa condição injusta e pede que os carros elétricos tenham peso duplo no cálculo, feito com base na média ponderada de emissões da frota vendida por cada montadora, gerando os chamados supercréditos.
O formato será colocado em votação na Comissão Europeia. Em comunicado, a Acea, entidade que reúne os fabricantes de veículos do continente, aponta que os supercréditos impulsionarão a inovação tecnológica e a chegada de veículos zero emissão ao continente. A entidade já alertou que, quanto mais rigorosas forem as metas, mais apertadas ficarão as margens de lucro das empresas.
Opiniões contrárias a aprovação dos supercréditos indicam que, na prática, esse recurso fará com que o limite de emissões de CO2 seja maior. A Irlanda, que preside atualmente a Comissão Europeia, acredita que é necessário encontrar o melhor balanço entre sustentabilidade ambiental e econômica. Ambientalistas defendem que a decisão seja tomada com base nos benefícios de longo prazo e não em interesses imediatos de algumas fabricantes.
As autoridades europeias sinalizaram a intenção de apertar as metas de emissões para em torno de 78 gramas de CO2 por quilômetro em 2025. A decisão será anunciada apenas em 2015, mas a Acea pede que, antes de definir o número, sejam checados os resultados da legislação que entrará em vigor em 2020. “É razoável avaliar o impacto da redução das emissões antes de fixar novas metas”, declarou em comunicado Ivan Hodac, secretário geral da associação.