Fortemente impactados pela pandemia, feiras e eventos empresariais presenciais estão sendo reinventados, com a estruturação de iniciativas online e, em casos específicos, de empreendimentos híbridos. Para especialistas em eventos do setor, esperam-se iniciativas renovadas, com novos conceitos e muita imaginação para evitar formatos já desgastados e custos elevados.
Novas definições no calendário de feiras e eventos empresariais de porte se estendem a boa parte das 1.858 realizações que estão este ano no radar da publicação Feiras do Brasil (www.feirasdobrasil.com.br). “As pessoas aprenderam a consumir eventos online e gostaram da experiência”, declarou a Automotive Business o editor-chefe da publicação Gustavo Chaves, assegurando que estará em teste nessas iniciativas o formato híbrido, combinando os aspectos presencial e digital.
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A FÓRMULA DE AUTOMOTIVE BUSINESS |
Automotive Business já definiu o rumo dos seus eventos online para este ano, culminando com o evento ABPlanNear, juntamente com o ABPlanNext, AB Diversidade e ABX – Automotive Business Experience, no segundo semestre. Todas essas iniciativas repetem a fórmula já vencedora do ABPlanNear, realizado em março, reunindo lives interativas, masterclasses e uma grande quantidade de conteúdos multiformatos de apoio para o planejamento na forma de podcasts, infográficos, ebooks e vídeos. “Esse tem sido nosso diferencial – oferecer suporte aos participantes com materiais atrativos e de valor”, explica Paula Braga, CEO de Automotive Business. O ABX trará também oportunidade de networking e fomento de negócios, além de experiências como gamefication e ações diferenciadas oferecidas pelas marcas.
Paula reforça a ideia de proporcionar o networking entre os participantes graças aos novos softwares disponíveis, muitos deles customizáveis para atender o interesse de diferentes profissionais.
“Foi-se o tempo em que os eventos captavam participantes por telemarketing, fax e mala-direta. Hoje tudo isso foi substituído por portais que trazem todo tipo de informação sobre eventos empresariais e ações em redes sociais. O networking online tem evoluído bastante, possibilitando a comunicação direta entre os inscritos durante e depois dos eventos”, esclarece Paula Braga. |
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A ESTRATÉGIA DA REED |
Como ficará o Salão do Automóvel, promovido pela Reed, possivelmente em novembro de 2022, ainda sob o efeito da pandemia? Para especialistas em eventos do setor, deverá ser um evento renovado. Nos bastidores da Anfavea, a entidades dos fabricantes de veículos, muito já se discutiu sobre o tema, que permanecerá aberto a debate por bastante tempo. Nem mesmo a possível transferência do evento do São Paulo Expo para o Autódromo de Interlagos, em campo aberto e espaço adequado para test drive, é motivo de unanimidade entre os interessados.
Além do Salão do Automóvel, a Reed organiza a Automec, a Fenatran e o evento Duas Rodas. A Automec (Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços), que está mais ligada aos negócios do Sindipeças, a entidade dos fabricantes de autopeças, está marcada para 9 a 13 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento é considerado o maior do setor de autopeças na América Latina e ocorre a cada dois anos. Sua última edição ocorreu em abril de 2019, quando registrou público de 75 mil visitantes e cerca de R$ 77 milhões em negócios. Ainda em gestação está a Fenatran 2021 (Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga), de 18 a 22 de outubro, no São Paulo Expo, que já conquistou mais de uma centena de expositores.
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EVENTOS HÍBRIDOS |
A Reed Exhibitions definiu suas estratégias na área de eventos para enfrentar a pandemia. As 10 principais iniciativas nesse campo, voltadas para mobilidade, autopeças e novos setores, como energia, segurança e materiais, passam a ser encaradas como produtos híbridos, com uma parte presencial e outra digital. Luiz Bellini, diretor de portfólio da empresa, explica que vem trabalhando nessa nova fórmula desde o ano passado, quando não foram realizados eventos, e neste início de ano.
“Investimos bastante em soluções digitais, que vão conviver com eventos presenciais. Assim, o digital não substitui o aspecto presencial”, enfatiza Luiz Bellini. |
Ele admite que o momento é difícil no Brasil, mas revela que países como Estados Unidos e China já caminham na direção dos eventos híbridos. “Aqui no Brasil as feiras continuam existindo no seu formato tradicional, superposto a um grande estúdio de transmissão digital”, esclarece Bellini. A Reed criou o Link Fenatran, plataforma que oferecerá conteúdo sobre a mobilidade de transporte, com exposição virtual dos produtos das marcas, recomendação personalizada entre expositores e compradores e promoção de reuniões de negócios entre os parceiros interessados. “A plataforma Link concentrará uma série de eventos e iniciativas digitais que estamos chamando de rota digital, que começa em maio e vai até outubro, nesta primeira etapa”, explica.
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O PROGRAMA DA SAE BRASIL |
A SAE Brasil classifica-se como uma criadora de conhecimentos que, por intermédio de seus voluntários (organizados em comissões e mentorias), os dissemina por meios eletrônicos e eventos presenciais há quase 30 anos.
“A pandemia nos trouxe muitas incertezas, mas somente nos obrigou a direcionar os eventos para os meios digitais, pois a geração de conteúdos e os anseios pelo conhecimento não cessaram”, pondera Ronaldo Bianchini, gerente geral da entidade. |
Em abril de 2020 a entidade dos engenheiros da mobilidade iniciou a realização de lives com a adaptação dos conteúdos que eram abordados nos cursos abertos e que passaram a ser oferecidos somente por canais digitais – visto que já havia utilizado essa modalidade hibrida no passado –, criando o novo para alguns e ceifando o tradicional “cara a cara”. O curso puro digital decolou bem e se mantém até hoje, porém os cursos in company não obtiveram a mesma receptividade.
Para contornar essa dificuldade foi formada uma comissão de digitalização que criou novos produtos como o Talks e o Smart Traks, com duração de uma a duas horas, resultando em maior simplicidade na realização e transmissão de conhecimentos, e atraindo empresas a este formato.
“Em paralelo às nossas ações, muitas empresas desenvolveram plataformas para eventos digitais com maior ou menor interatividade entre os participantes, porém o conteúdo tem sido o fator diferenciador. Na plataforma digital os nossos simpósios e o congresso, que teve a sua nomenclatura alterada para webforum, demonstraram que são ótimas alternativas para este período de restrições presenciais”, explica Bianchini.
Seguindo a mesma orientação, os comitês dos programas estudantis transformaram em virtuais as provas de apresentação de projetos e business nas competições de 2020 e 2021, mas as provas que necessitam da apresentação dos projetos físicos para a sua realização somente serão efetuadas após ampla vacinação, as devidas liberações sanitárias federais, estaduais e municipais e a definição de locais específicos para serem executadas. “As adaptações foram rápidas, mas sempre focadas em ajustes ou inovações necessárias para manter os participantes interessados”, resume o gerente geral da SAE Brasil.
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O ROTEIRO DE EVENTOS DA AEA |
Anderson Suzuki, diretor de comunicação e eventos da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, entidade sem fins lucrativos e com 80 empresas associadas, resume: os eventos da entidade agora são todos online, incluindo o carro-chefe Simea – Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, que teve a presença virtual de 1.050 participantes em 17 e 18 de março.
“O Simea foi um empreendimento com resultado surpreendente, porque atraiu uma parcela significativa de 50% de profissionais do exterior, um quadro que seria impensável se o evento tivesse sido presencial”, esclarece Suzuki. |
Realizado online pela primeira vez, o simpósio teve dois painéis de debate, uma palestra com keynote e reuniu seis palestrantes internacionais no programa. Em paralelo com as sessões online ocorreu a apresentação de 60 papers técnicos em salas separadas, com quatro apresentações simultâneas de 20 minutos, com mais 10 minutos para perguntas e respostas. “A maior parte da receita desse evento, assim como acontece em praticamente todos nossos outros eventos, provém dos patrocínios”, pontua Suzuki.
O portfólio das atividades da AEA inclui a Live AEA Digital, mensal, com assuntos atuais sobre mobilidade e duração de uma hora e meia; cinco seminários, em meio período; Prêmio de Meio Ambiente, que terá uma hora de duração no dia 10 de junho; e workshops de duas horas, com dois ou três palestrantes, seguidos de mesa redonda virtual; e cursos online com duração de um ou dois dias completos e com forte conteúdo técnico.
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O CALENDÁRIO DO IQA |
Alexandre Xavier, superintendente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, explica que a entidade organiza três tipos de eventos. O principal, que é o Fórum IQA (anual), está programado para novembro.
As palestras e eventos menores estão sendo realizados remotamente, em formato de webinar. Aumentou o número dessas iniciativas em comparação ao que era desenvolvido presencialmente antes de março de 2020.
Já os treinamentos foram convertidos para versões remotas no primeiro semestre de 2020 e hoje em dia acontecem em versões à distância e presenciais – essas últimas seguindo protocolos rígidos alinhados com as autoridades de saúde (inclusive a interrupção nas fases que não os permitem).
Segundo Xavier, os protocolos nas edições presenciais descritas acima vão além dos protocolos de autoridades, obedecendo os critérios definidos para o setor automotivo pelo IQA no Programa AutoRetorno, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
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OS EVENTOS DO SINDIPEÇAS |
“Desde abril de 2020, com a pandemia de Covid-19 já instalada em nosso País, o Sindipeças tem realizado numerosos eventos e cursos, abertos à participação virtual de todos os associados. As atividades da entidade, para dar suporte às 500 empresas que representa, em vários Estados, ficaram mais intensas. E a facilidade da participação a distância fez aumentar a quantidade de participantes de nossas ações”, reporta Helena Coelho, assessora de comunicação do Sindipeças, a entidade dos fabricantes de autopeças.
Entre abril do ano passado e abril deste ano foram realizados 78 cursos on-line ao vivo, alguns in company, e 28 webinars do Instituto Sindipeças de Educação Corporativa; três rodadas de negócios com importadores da Rússia e do Chile e com comerciais exportadoras; quatro webinars (outros webinars e rodadas de negócios já estão agendados para maio), por parte do projeto Brasil Auto Parts, parceria do Sindipeças com a Apex-Brasil; webinar sobre linhas de financiamento do BNDES; encontros com presidentes de montadoras; encontro com o presidente do Sindipeças; 13 webinars da área de Inovação do Sindipeças (Inova Sindipeças); reunião com entidades da cadeia do aço; dois webinars de relações trabalhistas; webinar sobre o mercado de reposição; o 16º Fórum de Sustentabilidade do Sindipeças e o 2º Encontro da Indústria de Autopeças, com 538 participantes.
Além disso, as reuniões dos vários comitês técnicos do Sindipeças, as assembleias e as reuniões de diretoria, também on-line, seguiram seu calendário habitual. “Nada foi interrompido. Ao contrário, os desafios fizeram aumentar a necessidade de encontros e discussões”, afirma Helena Coelho.
