
O executivo elencou quatro vertentes que devem conduzir as novas estratégias do departamento, responsável pela imagem das montadoras. A primeira, segundo Ciaco, é a mudança radical no comportamento das pessoas, do consumidor.
Em sua apresentação, Ciaco mostra que há uma tendência mundial de pessoas que se sentem menos atraídas ou interessadas por automóveis. O índice de interesse está abaixo de 30% da população em mercados maduros, como Estados Unidos (28%) e Alemanha (29%). Globalmente, o índice aponta que apenas um quarto da população tem interesse em ter/obter um automóvel. No Brasil, o índice ainda chega a 44%.
“Antes, ter um carro era distinção social, era melhor do que não ter um. Mas o que enfrentamos hoje é uma fase de transição na qual as pessoas se mostram mais preocupadas com algumas questões, como a ambiental. A utilização do carro tem de fazer sentido; o consumidor tem cada vez mais consciência do papel de cada modal e o fato de não ter carro também reflete uma mensagem à sociedade”, analisa.
A segunda vertente avaliada é o aumento vertiginoso das opções. Hoje, o mercado brasileiro conta com mais de 45 marcas de automóveis, das quais 15 produzem os modelos em solo nacional. Em mais três anos, este número sobe para 23 marcas produzindo no Brasil. Neste cenário, os profissionais de marketing e comunicação devem repensar a forma de oferecer seu produto em um universo tão vasto. Para se ter uma ideia, há 10 anos havia 180 modelos à disposição do consumidor brasileiro, hoje são mais de 300 opções.
“São três vezes mais lançamentos do que em 2002. E observamos que a maioria das montadoras utiliza a mesma plataforma para servir diversas categorias de produto. Então temos veículos, tecnologias e motorizações cada vez mais similares. Relevância será um trabalho cada vez mais difícil”, alerta.
O terceiro aspecto paira sobre os diferenciais – em sua maioria, tecnológicos – considerados pelo executivo os principais responsáveis pela total mudança da relação de experiência com o veículo, o que também se coloca como desafio para a indústria em termos de rentabilidade, já que o consumidor é sensível a mudanças de custo versus benefício. Para elucidar essa dificuldade que montadoras e fornecedoras encontram, Ciaco cita o CEO e presidente do Grupo Fiat Chrysler, Sergio Marchionne: “A habilidade de repassar custo de tecnologia para o consumidor está cada vez mais limitada”.
“Criar valor e tornar viável o uso das novas tecnologias, evangelizar essas tecnologias também entram na pauta do marketing”, completa Ciaco.
Por fim, o quarto e último desafio é o tempo de relação com o carro, que se apresenta como um sistema de relacionamento intenso, porém, curto, se comparado a outros bens de consumo. Enquanto uma geladeira tem duração média de uso de seis anos, o automóvel tem média de três anos; um celular, dois anos.
“Mais do que vender e formar sua imagem, ser marketing automotivo é se preocupar com as diferentes relações indo além do bem físico. É ser um profissional do serviço”, conclui.