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Paulo Ricardo Braga, AB
Linhas de pintura podem ser decisivas nos negócios de uma empresa, como demonstrou a Automotiva Usiminas. Quando Flávio Del Soldato assumiu o comando da operação a ordem da Usiminas, proprietária, era clara: recuperar e vender a empresa, que andava mal das pernas. O calcanhar de aquiles da unidade de Pouso Alegre, MG, adquirida da Brasinca, estava nas instalações de pintura. Construídas pelo antigo dono, com pesados investimentos, ficaram sem clientes e apressaram a transferência do controle da operação para a siderúrgica.
Agora uma nova instalação fabricada pela Durr com suporte da DuPont, para tratamento de chapas e pintura, está sendo inaugurada, dobrando a capacidade e dando fôlego renovado ao empreendimento. “Somos uma empresa de soluções automotivas integradas”, dispara o executivo para explicar que houve uma evolução profunda desde os tempos em que a empresa era, antes de tudo, uma fabricante de peças estampadas.
Era 1999, quando a indústria de caminhões produziu 55.277 unidades. A empresa faturava R$ 40 milhões por ano com as operações de estamparia em uma região de impressionante beleza — mas distante dos polos automotivos e dos clientes do segmento de veículos comerciais. Ativo e inspirado, Del Soldato acabou contrariando as expectativas iniciais da Usiminas e o pessimismo sobre o futuro do negócio. Com alguns suspiros no mercado, as vendas de caminhões entraram em trajetória de alta, somando 107 mil unidades em 2004 e 167.330 unidades em 2008. No ano pós-tsunami (2009) foram comercializados 123.633 caminhões, mas a partir daí houve uma retomada vigorosa.
Você já sabe o capítulo atual dessa história. A Automotiva Usiminas continua orbitando o poderoso grupo siderúrgico. O faturamento, de R$ 276 milhões em 2009, saltou para 407 milhões em 2010 e este ano pode emplacar R$ 500 milhões. “Estamos a caminho de R$ 1 bilhão em 2015”, registra Del Soldato, animado com o frisson que tomou conta das linhas de estampagem, montagem e pintura em Pouso Alegre.
Agregar valor
A Automotiva Usiminas passou a consumir mais aço e – o que é melhor – a agregar valor à matéria-prima siderúrgica. Ponto positivo para a subsidiária diante da controladora. O trabalho na unidade de Pouso Alegre anda no compasso do segmento de caminhões. Dependendo do cliente, são dez a cem cabinas de caminhões por dia – volume modesto diante do segmento de veículos leves. Mas a encomenda soma valor, com corte e estampagem, montagem (armação), pintura e até acabamento completo. “É trabalho de sistemista”, afirma Del Soldato.
Atualmente há muitos clientes batendo à porta, de diversas partes do mundo. Com a área de veículos comerciais bombando, fabricantes estrangeiros querem parceiros locais capacitados a entregar sistemas completos, possivelmente com uma boa dose de engenharia. Em geral são operações com volume reduzido, de até 300 veículos/mês.
A International é um dos clientes mais antigos. Ao contrário do que se faz no mercado por aqui (de aço), a marca constrói cabinas de alumínio. O produto mineiro, estampado, rebitado, pintado e com acabamento, é levado até a fábrica da Agrale em Caxias do Sul, onde os pesados da série 9800 são montados.
A Ford também entregou à Automotiva Usiminas a produção das cabinas do Cargo, à razão de uma centena por dia desde 2000. A cabina chega pronta à planta da montadora. A Mitsubishi adquire todas as peças estampadas para o TR4 e a L200. A Volkswagen encomenda a estampagem da Kombi, a Iveco conjuntos (como as portas) para Ducato e Daily, a Mercedes-Benz e a Scania conjuntos estampados.
No segmento de leves Del Soldato atende serviços de estampagem para Astra, Vectra e EcoSport. A Mahindra, por meio da Bramont, compra a montagem completa das cabinas em regime SKD.
Foto: Flávio Del Soldato, diretor da Automotiva Usiminas, ao lado da cabina do Cargo, na linha de pintura.