
O ex-CEO da Audi, Rupert Stadler, foi multado em 1,1 milhão de euros e recebeu uma suspensão condicional de um ano e nove meses por envolvimento na fraude de testes de emissões de poluentes, que ficou mundialmente conhecido como “dieselgate“.
Stadler foi o primeiro ex-membro do conselho administrativo do Grupo Volkswagen a ser punido pela Justiça alemã. O valor da multa será revertido para o Tesouro do estado e para organizações não-governamentais.
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Em 2015, as marcas Audi e Volkswagen admitiram o uso de um software ilegal para burlar os resultados de testes de emissões. Na ocasião, Stadler negou envolvimento no escândalo.
Stadler negou, mas depois admitiu
Ulrike Thole-Groll, advogado do ex-CEO da Audi, disse em maio que Stadler não sabia que os veículos haviam sido manipulados e que os clientes da marca haviam sido lesados. Apesar disso, seu cliente teria admitido que sua postura poderia ter sido mais cuidadosa.
De acordo com os promotores do caso, os engenheiros manipularam os motores a diesel de maneira que atendessem aos padrões dos testes realizados em laboratório. Porém, os mesmos índices não eram obtidos no uso cotidiano.
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Stadler foi acusado de não impedir as vendas dos veículos ilegais na Europa, mesmo após as autoridades dos Estados Unidos terem descoberto a farsa. Inicialmente, o executivo sustentou seu discurso de inocência e acusou os engenheiros da Audi de terem encoberto o caso, mas, em maio deste ano, ele confessou que tinha ciência do caso.
A promotoria buscava uma multa no valor de dois milhões de euros, com base nos salários de Stadler à época e também em seu patrimônio financeiro.
Engenheiros também foram punidos
Outros dois ex-executivos da Audi, Wolfgang Hatz e Giovanni Pamio, também receberam multas e suspensões. Hatz, ex-engenheiro chefe de desenvolvimento de motores e que posteriormente se tornou líder de engenharia do Grupo VW, recebeu uma suspensão de dois anos e multa de 400 mil euros.
Já Pamio, ex-gerente de desenvolvimento de motores a diesel da Audi, foi suspenso por um ano e nove meses e recebeu uma multa de 50 mil euros. Os acusados podem recorrer da sentença até o dia 4 de julho.
O que foi o dieselgate?
O dieselgate veio á tona em 2015 e teve desdobramentos no mundo inteiro. Ficou famoso por ser um dos maiores escândalos da história da indústria automotiva e estima-se que 11 milhões de carros foram fraudados, inclusive no Brasil.
A Volkswagen desenvolveu um software ilegal que fraudava os resultados de testes de emissões de motores a diesel. A adulteração foi feita na tentativa de driblar testes de emissão de gases poluentes realizados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) nos Estados Unidos.
No Brasil, Ibama e Procon multaram a Volkswagen por conta dos resultados acima do permitido dos motores diesel que equipavam a picape média Amarok.
O escândalo que teve a VW e outras marcas do grupo alemão como personagens centrais acabou servindo para que outras fraudes cometidas por fabricantes de várias partes do mundo fossem descobertas.
