
No Seminário de Emissões realizado nesta quinta-feira, 26, pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), o engenheiro Gabriel Murgel Branco exibiu um estudo feito com 1.450 veículos flexíveis. Sócio-diretor da EnvironMentality, Branco demonstrou que a maneira como são controladas as emissões hoje permite uma mistura exageradamente rica de etanol na partida a frio.
“Isso foi tolerado por causa da possibilidade de recuperar o CO2 lá na frente (pelo plantio de cana), mas esse excesso eleva o potencial de formação de ozônio quando os carros flex utilizam 100% de etanol hidratado”, recorda o executivo. “O potencial de ozônio é maior com etanol do que com gasolina para vários modelos medidos. O comprometimento ambiental ainda não requer soluções drásticas nem urgentes, mas, na fase L7 do Proconve, será preciso aprimorar as medições especializadas das emissões orgânicas”, disse o engenheiro.
“É necessário rever a certificação dos veículos para recalcular as emissões dos compostos orgânicos (e os respectivos potenciais de formação de ozônio) ou atribuir fatores de conversão para a revisão do inventário”, informa Branco. “Também será necessário medir o MIR da gasolina”, diz, referindo-se ao índice de qualificação do combustível quanto à sua propriedade de queima.
No estudo, o engenheiro confirmou os baixos índices de emissões com etanol com o motor aquecido. “É o combustível ideal para os taxistas, que rodam o dia inteiro. Mas quem não anda o suficiente para que o motor atinja a temperatura ideal deve preferir a gasolina, que nesses casos gera menos emissões.