
Segundo a acusação, Schmidt estava ciente de que carros da montadora eram vendidos na região equipados com dispositivos para burlar o controle de emissões. Ele teria, inclusive, falado com o conselho de administração da empresa sobre a situação em julho de 2015, pouco antes de o dieselgate ser revelado, o que aconteceu em setembro. Na ocasião o executivo supostamente garantiu aos líderes da companhia que as autoridades dos Estados Unidos não sabiam da trapaça e teve autorização para continuar infringindo as leis.
Informações da acusação apontam que, na reunião, Schmidt chegou a calcular os riscos da fraude ao tratar do que poderia acontecer na reunião que o Grupo Volkswagen tinha agendada com membros de órgãos reguladores da Califórnia. A análise passava até mesmo pela possibilidade mais negativa, de que o dispositivo que falsificava as emissões fosse descoberto e a montadora processada.
As informações foram obtidas pelo FBI em trocas de e-mails internos do Grupo Volkswagen e com depoimentos de testemunhas anônimas da área de desenvolvimento de motores da companhia. Segundo estas informações, Schmidt desenhou plano para que o dispositivo fraudador não fosse descoberto depois de participar de uma série de reuniões com a liderança da montadora na Alemanha e nos Estados Unidos.
Em um dos e-mails interceptados pelas autoridades, o executivo pede a um funcionário para cancelar a presença de um terceiro colaborador em uma reunião. Segundo Schmidt, dessa maneira o trabalhador não teria conhecimento do assunto e não precisaria “mentir conscientemente”.