
As exportações de veículos made in Brazil cresceram 29% no acumulado do ano até julho, na comparação com os embarques realizados em igual período no ano passado. Segundo balanço da Anfavea, divulgado na sexta-feira, 5, as montadoras exportaram 288 mil unidades nos sete meses do ano.
Apenas em julho os embarques somaram 42 mil unidades, 76% a mais do que em julho do ano passado. A alta no mês, de acordo com o presidente Marcio de Lima Leite, é reflexo de um maior volume de embarques para a Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na região em termos automotivos. No entanto, os negócios na região preocupam.
“Ainda estamos digerindo o que está ocorrendo no país vizinho”, disse o representante da Anfavea a respeito das medidas tomadas pelo governo argentino a respeito das emissões de dólares ao exterior. A entidade ainda não calculou os reflexos disso nas operações brasileiras das montadoras que abastecem a Argentina.
Reflexos na cadeia e nas exportações das montadoras
Fonte ouvida pela reportagem afirma, no entanto, que já há impactos na cadeia de fornecedores – como as subsidiárias argentinas não conseguem remeter recursos para fora do país em curto-prazo, as montadoras daqui estão recorrendo a outras fontes de recursos para pagar os fornecedores de forma rápida, como, por exemplo, empréstimos bancários.
Mas isso apenas em alguns casos extremos, informou a fonte ligada às montadoras. Em linhas gerais, o volume de peças que são usadas nos modelos para exportações é negociado com os fornecedores considerando o total produzido pela fabricante, o que envolve também um contigente de veículos para venda no mercado doméstico.
Indústrias brasileiras que exportarem produtos para a Argentina até setembro só deverão receber o pagamento pelas mercadorias vendidas em até 180 dias. A medida foi anunciada no fim de junho por meio de resolução do Banco Central do país vizinho.
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No acumulado do ano, as exportações de veículos leves cresceram 30% sobre o volume registrado no janeiro-julho do ano passado, com 272 mil unidades. Desse total, são 232 mil unidades de automóveis (alta de 29%) e cerca de 40 mil unidades de comerciais leves (34% a mais).
Os embarques de veículos até julho geraram uma receita de US$ 5,7 bilhões, 37% a mais sobre a receita verificada no janeiro-julho de 2021.
