logo

anfavea

Exportações de veículos despencaram em 2014

A instabilidade no mercado argentino em 2014 fez as exportações de veículos brasileiros retrocederem ao menor nível em 12 anos. Foram vendidos externamente 334,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no ano passado, com expressiva queda de 40,9% na comparação com 2013. O mês de dezembro mostrou que o rombo continua a se aprofundar, com retração de 8,7% sobre novembro e de 40,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados pela Anfavea, associação que representa as montadoras.
Author image

Giovanna Riato

08 jan 2015

3 minutos de leitura

X_noticia_21160.gif

– Veja aqui os dados da Anfavea

Em valor, a exportação de veículos gerou faturamento de US$ 11,51 bilhões em 2014, montante que fica 30,4% abaixo do anotado em 2013. Em dezembro a indústria local obteve receita de US$ 747 milhões com as vendas externas, com retração de 18,4% na comparação mensal e de 37,6% na anual. Segundo a Anfavea, a diferença entre as exportações em volume e em valor é causada pela venda fora do País de peças e componentes para veículos brasileiros que já circulam no exterior. Estes negócios inflam as receitas geradas com vendas internacionais.

A entidade aponta a crise no mercado argentino como a principal responsável pelo tombo de 2014. O país vizinho é o principal cliente das montadoras instaladas no Brasil. O impacto da queda nas vendas para lá evidencia que as empresas que produzem nacionalmente precisam buscar novos parceiros de negócios. Luiz Moan, presidente da associação dos fabricantes de veículos, garante que a organização já trabalha nessa área. “Brinco que me tornei caixeiro viajante para buscar estabelecer novos acordos comerciais”, aponta.

Segundo ele, esta é uma das metas para 2015, ano em que a entidade projeta modesto crescimento de 1% nas exportações, para 337,9 mil veículos. Moan garante que, além de fortalecer as relações com Argentina e demais países do Mercosul, além de México e Colômbia, a ideia é se aproximar dos países da África e da Europa. “Em outubro do ano passado fizemos o nosso primeiro embarque para o Zimbábue. Também estamos ao lado do governo nas negociações para o estabelecimento do novo acordo entre Mercosul e União Europeia”, explica.


EXPORTAR-AUTO

Moan está cada vez mais distante de alcançar a meta proposta por ele mesmo, de exportar 1 milhão de unidades, anunciada em abril de 2013, quando tomou posse da presidência da Anfavea. Apesar da mudança no cenário, o plano, batizado de Exportar-Auto, está mantido. “Não alterei este objetivo. É claro que ficou extremamente mais difícil, mas o importante não é atingir isso na minha gestão e sim lançar as bases para que a indústria alcance esta meta o mais rápido possível”, explica.

O dirigente admite que a alta do dólar pode beneficiar as vendas externas do Brasil. A entidade acredita que a cotação da moeda norte-americana chegará a R$ 3,10 ao longo de 2015. Ainda assim, ele lembra que a nova taxa cambial tem um lado negativo para a indústria, que importa componentes para equipar os carros nacionais. “O mais importante é a estabilidade. A volatilidade prejudica muito os negócios.”

Como exemplo disso, Moan lembra que, em 2005, ano recorde para as exportações brasileiras com 724 mil veículos montados vendidos em outros países, o dólar girava em torno de R$ 2,90. “Hoje, 10 anos depois, a moeda está em R$ 2,70. Isso explica parte da perda de competitividade da indústria local e dos custos que absorvermos no período”, enfatiza.


Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea: