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Exportações de veículos freiam crescimento

Volumes diminuem 3% no acumulado do ano; queda se deve às demandas menores de Argentina e México
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Redação AB

06 ago 2018

3 minutos de leitura

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Após meses consecutivos em alta, as exportações de veículos frearam seu crescimento e diminuíram os volumes após o fechamento de julho. Dados divulgados na segunda-feira, 6, pela Anfavea, apontam que os embarques recuaram quase 3% no acumulado de sete meses, considerando a soma de leves e pesados, que foi de 430,3 mil unidades contra as 442,5 mil enviadas a outros mercados em iguais meses do ano passado. Somente em julho, com volume de 51,3 mil, a queda foi de 20,9% na comparação com junho e o total também é menor sobre julho de 2017, retração de 21,7%.


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A entidade que reúne os fabricantes indica que a quebra do fluxo positivo é reflexo da queda nas vendas internas dos dois principais mercados de exportação do setor, a Argentina e o México: os dois respondem por 81% da exportação brasileira de veículos, sendo 75% para o mercado argentino e 6% para o mexicano.

Ambos os países passam por situações adversas: por um lado, a Argentina caiu numa crise repentina ao enfrentar forte depreciação de sua moeda frente ao dólar, o que fez com que o governo reagisse, elevando os juros em mais de 40%. Por outro lado, o México acaba de passar por eleições presidenciais e ainda enfrenta embates sobre as incertezas do futuro de seu acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Nos dois cenários, as situações afetaram fortemente a confiança e a economia local.

“Na Argentina, o câmbio e a taxa de juros têm pressionado os preços e elevou os custos dos financiamentos. Para se ter uma ideia, o volume de vendas passou de 84 mil unidades em junho para 65 mil em julho, foram 20 mil veículos a menos só no mercado argentino”, argumenta o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

Durante a apresentação do balanço do setor em São Paulo, o executivo lembrou que após o fechamento do primeiro semestre, a Anfavea revisou as projeções para o ano e reduziu as expectativas para as exportações. Se antes, as montadoras esperavam superar o recorde do ano passado, que encerrou com 766 mil veículos exportados, com volume em torno de 800 mil unidades, agora, o setor espera repetir o desempenho de 2017 e alcançar as mesmas 766 mil unidades vendidas a outros mercados. O motivo da revisão: Argentina e México, que já davam sinais de retração: só neste ano, a desvalorização cambial chega a 49% no país vizinho, enquanto a taxa está em 5% no México e em 20% no Brasil.

“A previsão é de estabilidade [para o ano], mas é realmente um risco. As exportações estavam em alta, contribuindo muito para a produção local. Nossa posição é de cautela, já baixamos a projeção em 34 mil veículos. Há possibilidades de a Argentina superar essas questões, mas sabemos que os mercados da região [América Latina] são voláteis, pode haver reversão tanto positiva quanto negativa. Estamos atentos para ver se vai precisar de outra avaliação [novas projeções]”, disse Megale.

O presidente da Anfavea indica que além do Brasil, que vem recuperando os volumes de vendas após a crise dos caminhoneiros, outros mercados da região estão indo bem, como o Chile, que responde por 6% das exportações brasileiras de veículos. Com cerca de 17 milhões de habitantes, o país vem consumindo o equivalente a dois terços do volume de vendas anuais de veículos da Argentina, que é quase três vezes maior em termos de população, em torno de 45 milhões de habitantes.
Ele lembra que no início deste ano, a Anfavea previa um mercado argentino bastante forte, com mais de 900 mil unidades vendidas, uma projeção mais otimista que as próprias fabricantes alocadas na Argentina. Ao que tudo indica, este cenário já ficou para trás.