
As exportações de veículos seguirão em baixa em 2020. A Anfavea, associação que representa os fabricantes do setor instalados no Brasil, projeta que os volumes encolham 11%. Com isso, apenas 381 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus brasileiros devem chegar a outros mercados este ano.
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A contração acontecerá depois de um ano de baixa intensa. Em 2019 o número de veículos brasileiros vendidos internacionalmente encolheu 31,9% para 428,1 mil unidades. Em valor a queda foi ainda mais expressiva: o faturamento das montadoras com exportações caiu 32,6% para US$ 9,77 bilhões.
A entidade estima que, em 2020, a maior retração virá das vendas internacionais de veículos pesados, estimadas em 16 mil unidades – volume 22,7% inferior ao registrado em 2019. As entregas de modelos leves a outros mercados terá redução menor, de 10,4%, para 36,5 mil veículos, aponta a Anfavea. Luiz Carlos Moraes, presidente da associação, diz que as consequências da redução podem ser severas:
“Precisamos melhorar a nossa capacidade de competir e exportar para novos mercados. Os volumes estão tão baixos que algumas empresas correm o risco de deixar de produzir localmente alguns produtos”, diz Moraes.
EXPORTAÇÕES CONCENTRADAS NA ARGENTINA
O maior motivo para uma nova redução nas vendas internacionais de veículos brasileiros é a contração do mercado argentino, principal destino das exportações brasileiras. Até novembro de 2019, o país recebeu 49% das entregas brasileiras feitas a outros países no ano passado, absorvendo 196,5 mil unidades.
Em seguida está o México com 16% de participação, Colômbia (12%), Chile (8%), Uruguai (5%) e Peru (4%). Moraes lembra que, além da Argentina, há outros países que tendem a sofrer abalos em seus mercados interno em 2020, como Chile e Colômbia, que enfrentam crises políticas severas.
Para o executivo, a única forma da indústria brasileira se blindar das oscilações da América Latina é ampliar suas exportações para além do continente. A questão é que, para fazer isso, ele diz que é essencial equalizar a falta de competitividade do Brasil, resultado de aspectos como a complexidade tributária e a falta de infraestrutura.