
As exportações de veículos atingiram no acumulado do ano até novembro queda de 33,2% com relação ao volume embarcado em mesmo período do ano passado, ao totalizar 399,1 mil unidades, entre leves e pesados, de acordo com balanço divulgado pela Anfavea na quinta-feira, 5. O índice de retração é exatamente o mesmo previsto pela entidade para a queda das exportações para este ano com relação a 2018 com 420 mil veículos embarcados.
– Faça aqui o download dos dados da Anfavea
– Veja outras estatísticas em AB Inteligência
O volume embarcado em novembro foi o segundo pior do ano, com 31,7 mil unidades vendidas para fora do Brasil, perdendo apenas para outubro, quando as exportações pararam em 30 mil. Segundo a Anfavea, a crise argentina continua sendo o fator principal para a forte retração das exportações. Segundo o presidente da Anfavea, Luis Carlos de Moraes, para lá, o País enviará apenas 420 mil unidades este ano, representando pouco mais de 50% do total exportado; em anos não muito distantes, a Argentina chegou a responder por 70% do total das exportações brasileiras.
Com isso, embora não adiante as projeções para 2020, Moraes indica que não vê um crescimento forte das exportações no curto prazo.
Além da Argentina, o executivo diz que outros mercados relevantes da América Latina têm sido tema de preocupações para a entidade, como Chile, Colômbia, Peru e Equador, não só pela oscilação da demanda nesses países, mas pelas ocorrências de crises internas, principalmente a mais recente do Chile, com manifestações nas ruas.
“Quando tem distúrbios dessa magnitude, isso inibe o consumo, as pessoas têm medo de sair na rua, e isso acaba afetando o PIB”, comenta o presidente da Anfavea. “Ainda não tem impacto [nas exportações], mas estamos olhando o tema com atenção”, conclui.
Contudo, se os conflitos continuarem, Moraes indica que isto poderá afetar os negócios de exportação de caminhões e ônibus. Por outro lado, diz que o Brasil continua o debate com o Peru visando um acordo comercial.
“É menor que a Argentina, mas também importante. Estamos tentando junto ao governo um acordo para tentar estimular e permitir a exportação de usados para o Paraguai, que é um grande consumidor desse produto”.
Segundo ele, o país vizinho consome algo em torno de 70 mil veículos usados por ano vindo de outros países.