
“Hoje temos produtos melhores e somos o quarto mercado mundial; porém, há muitos desafios no sentido de reduzir custos, ampliar as exportações e, com isso, dar vazão à capacidade produtiva da indústria brasileira.” A Anfavea estima que entre 2017 e 2018 o setor automotivo brasileiro alcance a capacidade produtiva de 6 milhões de veículos ao ano. Ampliar as exportações, portanto, ajudaria a evitar excedentes produtivos, já que o consumo interno não deve chegar nesse patamar ao mesmo tempo.
No primeiro trimestre, as exportações brasileiras caíram 32%. Esse cenário tem como grande “vilã” a Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, responsável por patamar entre 75% e 80% das vendas externas de veículos brasileiros. Moan salientou que há conversas em Brasília para tentar retomar o comércio entre os dois países, abalado pela crise na balança de pagamentos do país vizinho. “Uma ideia seria criar uma linha de financiamento entre os dois governos. Sabemos que a falta de divisas é o principal problema argentino no momento, então uma medida nesse sentido ajudaria. Prevemos que na metade deste ano a situação volte a se equilibrar.”
CONVERSAS COM O GOVERNO
Moan viajou na segunda-feira, 28, a Brasília, onde discutirá medidas para contornar a queda 2,1% nas vendas no primeiro trimestre do ano. Entre as questões debatidas está a ampliação do crédito ao consumidor, com a possível criação de um fundo garantidor, para dar mais segurança aos bancos e assim reduzir as restrições na concessão de crédito, um dos fatores que vem empurrando as vendas para baixo.
“Não queremos, necessariamente, que se amplie o prazo para compras financiadas. A ideia é debater a oferta de crédito em si e medidas que facilitem, por exemplo, a retomada do bem em caso de inadimplência podem ajudar.”
OS EFEITOS DO INOVAR-AUTO
Moan também afirmou que o Inovar-Auto, conjunto de regras que pautam a produção, importação e cadeia produtiva da indústria automotiva brasileira, vem rendendo frutos. “O setor de autopeças já teve melhoria de 7% no faturamento. Já em 2015 devemos ver os primeiros efeitos em termos de qualidade nos automóveis feitos e vendidos aqui.” Sobre o setor de autopeças, Moan defendeu a criação de um sistema de rastreamento de autopeças como forma de incentivar a produção local e também trazer ganhos de tecnologia para o país.
Ele também destacou outro ponto do programa que considera positivo. “O Brasil é o quarto mercado automotivo mundial e, ao criarmos essas regras, deixamos claro que quem quiser usufruir dessa nossa condição também precisará contribuir, não apenas produzindo aqui, mas também trazendo tecnologia e melhorando a cadeia produtiva como um todo.”
Perguntado sobre a existência de conversas com o governo para a criação de medidas de incentivo para carros elétricos e híbridos, o presidente da Anfavea salientou que a questão ainda demanda estudos. “Antes de criarmos incentivos para veículos do tipo, temos de definir qual é a matriz energética ideal para o Brasil. Só assim podemos criar programas sustentáveis.”
Além do crédito e da questão relacionada à relação comercial com a Argentina, a Anfavea também conversa com o governo para tornar flexíveis os critérios que definem o afastamento de trabalhadores da indústria automotiva. O chamado layoff permite que as empresas afastem os trabalhadores de seus postos por cinco meses, mantendo o pagamento de seus salários. Uma das propostas da entidade é que esse prazo de afastamento possa ser negociado e estendido.
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