O impacto da queda de vendas à Argentina agravou o quadro. Basta lembrar que em 2005 fabricantes nacionais exportaram quase 900.000 unidades, cerca de 40% da produção daquele ano. Em 2019 o País venderá ao exterior pouco mais de 500.000 veículos, algo em torno de apenas 16% da produção. Situação insustentável porque haverá necessidade de aumentar importações de componentes caros nos próximos anos, sem o contrabalanço de faturamento externo.
No Fórum Estadão Think, da semana passada, surgiu ideia de melhorar, em curto prazo, o volume de exportações em mais 1 milhão de unidades anuais. Seria por meio de aumento do porcentual de reembolso do programa Reintegra, criado pelo Governo Federal para compensar impostos embutidos nos veículos vendidos ao exterior. Sim, o Brasil exporta impostos, algo surreal. Hoje o Reintegra é de apenas 0,1% e há proposta de aumentar para 10%.
O problema está no orçamento deficitário do governo. Entretanto, estudo preliminar da consultoria AT Kearney estima 120.000 novos empregos para 1 milhão a mais de veículos. A geração indireta de impostos e encargos compensaria a aparente perda de receita fiscal. Nada fácil de convencer o Ministério da Economia. Porém, houve aceno do superintendente da Receita Federal, presente no evento, para estudar o assunto com foco apenas no volume adicional a exportar. Não resolve, porém, o reembolso do imposto estadual previsto em lei e não cumprido.
No mesmo dia do fórum, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva organizou o Simpósio de Eficiência Energética e Emissões. O mundo está às voltas com um dilema: a demanda de energia crescerá 30% até 2040 e só depois desta década o petróleo dará sinais de recuo. Até lá, emissões de CO2 terão de ser reduzidas pelo Acordo Mundial do Clima. Se o cálculo for feito “do poço à roda” (da produção primária ao que sai pelo escapamento dos veículos), ficará ainda mais difícil fechar a conta.
O Brasil está bem nesse cenário graças aos biocombustíveis: etanol (principalmente) e biodiesel. A meta de emissões de 91 g/km de CO2 para veículos leves é rigorosa, mas deve ser atendida. Haverá aumento da produção de etanol para 49 bilhões de litros, quase o dobro do nível atual. E com o programa RenovaBio poderemos vender créditos de carbono para outros países, em especial europeus.
No mesmo seminário foi apresentada a próxima especificação da gasolina. Entre outras mudanças, finalmente se adotará a octanagem RON, de maior difusão no mundo, e manutenção de 27% de etanol. Dessa forma haverá maior transparência no processo de produção. Além disso, a referência RON é mais significativa para motores modernos, inclusive os que utilizam turbocompressores.
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ALTA RODA |
VOLKSWAGEN ainda não confirma, mas picape Tarok (concorrente da Toro) será produzida mesmo em General Pacheco, Argentina. Dividirá instalações com SUV Tarek (maior que T-Cross, menor que Tiguan). Ambos os projetos, no entanto, devem atrasar em razão da situação econômica do país vizinho. Início de produção do Tarek: 1º de janeiro de 2021. Picape fica para um ano depois.
SEGUNDA geração do Range Rover Evoque estreia na versão topo de linha: R$ 312.900. Sem mudanças radicais no estilo, tem entre-eixos 2,1 cm maior, mas externamente não aumentou. Dos recursos eletrônicos destaca-se o “capô transparente”, na verdade um conjunto de câmeras que forma imagem do solo e a transfere para a tela do console central. Útil em terrenos difíceis e vagas apertadas.
MATERIAIS de acabamento, equipamento e espaço interno são pontos fortes do SUV grande JAC T80, para sete passageiros. Há seis saídas de ar no painel, mas multimídia não aceita pareamento Android Auto/Car Play. Suspensão e câmbio estão bem acertados, mas, sem injeção direta, o motor turbo tem consumo relativamente alto. Falta regulagem de distância do volante.
CITROËN comemora centenário com edição especial Origins 100, de 550 unidades, distribuídas entre C3, Aircross, C4 Lounge e C4 Cactus. Evento em São Paulo deu chance de dar uma voltinha ao volante de um Citroën 11 B Normale, 1956. Carro de colecionador muito bem conservado, fácil de conduzir e com características quase intactas de boa relação conforto-estabilidade.
JOINVILLE (SC) conseguiu melhorar o trânsito por meio de uma rotatória, especialmente construída, que teve origem na análise de dados armazenados em nuvem do aplicativo de rotas Waze. É possível estudar pontos críticos de congestionamentos e implantar obras dentro de custos razoáveis. Atualmente, 70 cidades brasileiras estão aptas a usar a ferramenta.
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