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Fábrica da Chery virá quase toda da China

A ilustração ao lado salta aos olhos e certamente encherá de orgulho toda a equipe da Chery quando sair do papel e virar realidade. Também é verdade que muitos fabricantes brasileiros de equipamentos e empresas locais de engenharia ficarão chupando o dedo. A futura fabricante brasileira de automóveis está, na verdade, erguendo uma indústria legitimamente chinesa em Jacareí, no Vale do Paraíba.
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cria

28 mar 2013

3 minutos de leitura

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“Já recebemos 2 mil toneladas de estruturas metálicas”, afirma o vice-presidente industrial, Wu Dejun. Uma espiada em etiquetas de papel coladas nas colunas metálicas revela que elas vieram de Wuhu, de onde também partem os modelos Celer sedã e hatch que as concessionárias começam a vender no Brasil.

A maioria dessas colunas tem mais de 13,5 metros de comprimento, quase 1,5 metro de largura e pesa 6,94 toneladas. Elas chegaram de navio até Santos (SP) e subiram do litoral até o Vale do Paraíba em cerca de 100 caminhões.

A terraplenagem e o estaqueamento foram concluídos com algum atraso, pois o terreno seria um pouco mais instável do que a avaliação inicial havia apontado.

Olhando o estágio atual da obra fica até difícil acreditar que a fábrica será inaugurada no fim do ano e começará a produzir as duas versões do Celer (hatch e sedã) em abril. O vice-presidente industrial informa também que foram comprados na China e de outros fornecedores internacionais os equipamentos a serem utilizados na produção dos carros. “Já escolhemos fornecedores. Muitos dos parceiros serão os mesmos que já fornecem para nós na China”, afirma Wu Dejun.

Os principais, segundo a Chery, serão Autoliv, Bonaire, Continental, Delphi, Johnson Controls, Mobil, Siemens e Valeo. Depois de xeretar sob o capô de meia-dúzia de unidades, Automotive Business descobriu também que a empresa já avalia o comportamento das baterias nacionais Moura em unidades importadas do Celer. O vice-presidente industrial revela ainda que os moldes de injeção já foram liberados para a produção.

Chery
Vice-presidente industrial Wu Dejun falou sobre importação de equipamentos e parcerias com fornecedores. Diretor de vendas João Carlos Rodrigues espera 30 mil unidades emplacadas este ano. Terraplenagem e estaqueamento do terreno de Jacareí (SP) já foram concluídos. Etiquetas identificam destino, origem e dimensões de cada coluna metálica trazida de Wuhu, na China.

REDE ATUAL E PREVISÃO DE VENDAS EM 2013

Enquanto a fábrica não fica pronta, a rede se estrutura para vender o Celer importado e outras novidades: “Em cerca de dois meses chegará o Face flex. Também teremos este ano a reestilização do Tiggo e sua versão automática”, afirma o diretor de vendas João Carlos Rodrigues.

“Queremos vender cerca de 30 mil unidades este ano”, diz. Além dos 7 mil Celer, a Chery põe fé no compacto QQ, do qual espera ver emplacadas 15 mil unidades em 2013. O restante ficará dividido entre Face e Tiggo. A empresa deve deixar de trazer o S-18 e o Cielo. “Não podemos descontinuá-los agora em respeito ao consumidor que comprou, pois isso baixaria muito o preço de revenda. Mas o S-18 é pouco competitivo perto do Face, que é montado no Uruguai. E o Cielo acaba concorrendo com o novo Celer.”

Sobre as revendas, João Carlos Rodrigues afirma que há 80 credenciadas; 68 estão abertas e 12 em fase final de obras ou nomeação. Em 2011 a Chery chegou a 105 concessionárias. Muitas fecharam com a queda nas vendas de importados em 2012, em razão da alta na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para veículos trazidos de fora do Mercosul ou do México.