
Desde sua inauguração, que contou com a presença do então presidente da república, Juscelino Kubitschek, a unidade da GM de São José dos Campos produziu 5,5 milhões de veículos. No ano em que abriu as portas, o complexo fabricava somente motores e peças para os caminhões Chevrolet, picapes e caminhonetes Chevrolet Amazonas.
“O complexo industrial de São José dos Campos teve significativa importância para a região do Vale do Paraíba, tendo contribuído para seu crescimento econômico, registrando grandes marcas em sua trajetória”, destacou Marcos Munhoz, vice-presidente da GM do Brasil.
A história da GM na região começou na década de 50 com a procura de um terreno junto à estrada de ferro Central do Brasil às margens da Rodovia Presidente Dutra e no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, para a construção da fábrica que iria produzir motores para caminhões. Entre 1956 e 1957 a GM teve seu primeiro projeto de nacionalização aprovado pelo governo por meio do GEIA — Grupo Executivo da Indústria Automobilística – criado para controlar a formação da indústria automobilística brasileira. A meta era fabricar os caminhões médios Chevrolet HD-6.503 e os leves 3.104. Atendendo a esse projeto de nacionalização que a empresa instalou-se em São José dos Campos, onde montou uma fundição de peças para a produção dos motores. O primeiro a ser produzido lá foi o modelo de 261 polegadas cúbicas (4,2 litros) e seis cilindros em linha. A capacidade da fábrica era de 25 mil motores por ano.
Atualmente, o ritmo de produção da divisão de powertrain se mantém com aproximadamente 4,5 mil unidades de unidades por dia ou 95 mil por mês, considerando motores e transmissões, superando o volume de 975 mil unidades por ano.
PRESENTE E FUTURO
A planta da GM de São José dos Campos vive hoje em um impasse: após a renovação da gama de veículos da marca, a linha de produção MVA, sigla para Montagem de Veículos Automotores, foi totalmente desativada pela montadora em dezembro de 2013, com a transferência da produção de seu último modelo, o Classic, para a planta de Rosário, na Argentina. O fechamento do MVA vem sendo feita desde a metade de 2012, quando a empresa deixou de produzir os modelos Meriva, Zafira e Corsa, que ganharam substitutos, mas que são produzidos em outras fábricas, como a de São Caetano do Sul, no ABC paulista, e Gravataí (RS).
Desde então, a ação resultou em embates entre a montadora e o sindicato dos metalúrgicos da região, que é contra a demissão de funcionários da linha desativada, que empregava cerca de 900 funcionários. Entre greves, lay-offs, protestos e inúmeras assembleias e reuniões, no início do ano passado os trabalhadores aprovaram acordo, que incluiu estender a produção do Classic até o fim do ano passado. Além disso, a unidade espera um possível investimento de R$ 2,5 bilhões, aporte que é disputado por outros países e que ainda está sem definição por parte da matriz.
Cálculo do sindicato indica que, entre abril de 2012 e julho de 2013, a General Motors reduziu 1,5 mil postos de trabalho na planta de São José. A GM anunciou em agosto de 2013 um PDV (Programa de Demissão Voluntária), que oferecia condições especiais com o objetivo de alcançar 850 adesões. O sindicato aponta que o programa atraiu 304 trabalhadores.