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Fábrica de líderes

Em minhas andanças pelos EUA conheci um conceito interessante: a “fábrica de líderes”. Meu interlocutor contou que algumas organizações investigavam junto às escolas, clubes e outras entidades, os jovens com potencial para serem líderes. Identificados, eles eram convidados a participar de um processo educacional diferenciado, uma espécie de “fábrica de líderes”, de onde sairiam os homens e mulheres que dirigiriam as grandes organizações dos EUA. Achei o máximo.
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Redação AB

18 jun 2010

3 minutos de leitura

Talvez haja alguma iniciativa parecida no Brasil, mas não consegui lembrar.

Em nosso carnavalesco país tropical mal conseguimos educar nossos jovens, quanto mais manter um sofisticado sistema de captura e desenvolvimento dos que tem potencial de liderança. Aqui é na base do “se Deus quiser”, “se eu tiver sorte”, “se meu padrinho for forte”, “se papai deixar pra mim”… E esse comportamento piorou muito, especialmente depois que um viés ideológico/comercial tomou conta das instituições. No Brasil do pobrismo, quem se atreve a anunciar um sistema que estimulará a “elite pensante”, é capaz de ser apedrejado em praça pública. Mesmo que não seja a “elite endinheirada”, o fato de ser “elite” já desabona qualquer vivente.

Mas o Brasil é o país das surpresas. Estive em Lençóis Paulista, cidade do interior de São Paulo, para fazer uma palestra a convite do Grupo Lwart, um conglomerado industrial nascido do espírito empreendedor de cinco irmãos que no início dos anos cinquenta começaram um negócio que hoje atua na área de lubrificantes, química, celulose e fibras especiais.

Participei do 6º. Congresso Juvenil, parte de um projeto da Lwart chamado “Formação de Líderes”, que estimula o desenvolvimento da cidadania, a consciência crítica e a transformação social da comunidade. Minha palestra Brasileiros Pocotó foi apresentada numa manhã fria de domingo para uma plateia de cerca de 280 jovens com idades entre 14 e 19 anos. Foi uma delícia.

Curioso para saber mais sobre o evento, fui apresentado à criadora do projeto: Sara Hughes, esposa do atual presidente do grupo. Sara é estadunidense e veio para o Brasil cerca de 13 anos atrás, acompanhando o marido brasileiro. Em 2001, então diretora da Lwart, ela recebeu um pedido de patrocínio para um evento dirigido aos jovens e ficou espantada ao descobrir que nenhum jovem fazia parte da organização. Só adultos. É ela quem conta:

– Em minha juventude nos EUA eu era estimulada a criar, organizar e participar ativamente dos eventos para jovens. E descobri que por aqui isso não existia. Nasceu assim o projeto Formação de Líderes.

Após a palestra cruzei vários grupos formados com os jovens, todos com um monitor voluntário. Cada grupo discutia um tema relacionado à palestra. No final da tarde apresentariam suas conclusões. Seriam dois dias de discussões sobre a realidade brasileira, algo que raramente os jovens de Lençóis Paulista – ou de qualquer outra cidade brasileira – tem a possibilidade de fazer. Um projeto sensacional, nascido do inconformismo de uma estadunidense que um dia se perguntou: “se lá tem, por que aqui não?”.

Pois é. Por que não?

Você precisa visitar www.projetolideres.com.br para ver como é possível, com boa vontade e uma dose de inconformismo, mudar a realidade do Brasil.

Thanks, Sara.

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18 de junho de 2010