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Paulo Ricardo Braga, AB
A Volkswagen do Brasil não vai anunciar tão cedo a decisão sobre a construção de uma nova fábrica. Pode nem haver uma nova unidade no horizonte próximo, com a ampliação de uma ou mais plantas no País. Essa foi a mensagem de Thomas Schmall, presidente da empresa (foto), nesta quarta-feira à noite, em entrevista a um grupo de jornalistas logo após o tradicional encontro de fim ano com a imprensa, em um bufê de Moema, na capital paulista.
“Não tempos pressa em resolver essa questão, embora apareçam cada vez mais propostas”, esclareceu o executivo, que parece estar mais preocupado com a evolução do mercado. “As projeções têm mudado bastante rápido”, admitiu, em resposta às previsões de vendas para 2012. “Não há um número confiável, podemos repetir o mesmo volume de 2011 ou crescer 2% ou até 5%”, afirmou.
Para ele, o comportamento do mercado estará diretamente relacionado ao volume de crédito disponível. “O governo parece atento aos efeitos da crise na Europa e deve tomar as providências necessárias para estimular a economia”.
Schmall disse que haverá um alinhamento crescente de plataformas automotivas em nível global, diminuindo a distância tecnológica entre o Brasil e os países mais maduros. “Estamos nos aproximando do primeiro mundo a uma velocidade expressiva, maior que a de muitos países”, enfatizou. Ele observou que a competitividade tão desejada vem atrás da produtividade e isso precisa ser alinhado com o governo e os parceiros de negócio.
O presidente da Volkswagen alerta que a proteção à indústria local é importante, mas traduz uma medida de curto prazo e de efeitos pontuais. “O mais importante é o País tomar decisões efetivas para se tornar capaz de competir no mercado internacional, solucionando os problemas estruturais e incentivando a inovação e o desenvolvimento tecnológico”, ponderou.
Sobre as concessões que o governo estaria disposto a fazer para os newcomers estabelecerem fábricas no País, Schmall disse que é mais importante estimular as montadoras que já estão aqui há muito tempo e fazem, ainda, investimentos elevados.
O executivo destacou o lançamento do Gol Black, em versão 1.0, e da Amarok com cabine simples e motor turbodiesel 1.968 cm3 e 122 cv que, entende, deve se tornar um sucesso no País, depois do modelo inicial, com cabine dupla. No discurso aos convidados foram registrados os 35 anos da fábrica de Taubaté, SP, e os 15 anos da unidade de São Carlos, SP, onde são montados os motores da marca.