
Há pouco mais de três anos a unidade no sul fluminense tinha apenas dois carros em produção (Citroën C4 Cactus e Peugeot 2008) que, nos licenciamentos, faziam apenas figuração. Quem visita a fábrica da Stellantis no RJ agora encontra uma linha de montagem pujante, automatizada e cheia de planos.
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Na última terça, 17, a montadora iniciou a produção do Basalt, o SUV-cupê compacto da Citroën que conclui o projeto C-Cubed da marca francesa no Brasil e o ciclo de investimentos de R$ 10 bilhões iniciado em 2011. Quase uma virada de chave para o novo pacote de R$ 3 bilhões da Stellantis para sua fábrica no RJ.
Dentro desse novo ciclo, a companhia confirmou que a unidade de Porto Real será um polo multimarcas, com a produção de um novo modelo de uma das empresas do grupo automotivo – que será o Jeep Avenger. Também confirmou que a planta terá híbridos, baseados na arquitetura CMP Bio-Hybrid – sem maiores detalhes sobre qual produto irá estrear o conjunto eletrificado por lá.
Mais fornecedores para a fábrica da Stellantis
Para a produção do futuro SUV compacto da marca estadunidense, a fábrica da Stellantis no RJ quer aumentar o parque de fornecedores locais. Ao todo, a unidade tem 10 empresas parceiras, sendo sete dentro do polo automotivo, que somam R$ 2 bilhões em aquisição de componentes.
A meta da Stellantis é atrair mais 10 fornecedores para o complexo industrial.
“Queremos aprimorar nacionalização e regionalização dos componentes. Essa parceria com os fornecedores permite que a planta seja competitiva”, diz Francis Jorge, diretor do polo Stellantis em Porto Real.
Ao mesmo tempo, para os três carros da família C-Cubed (C3, Aircross e Basalt), a fabricante trouxe para dentro da planta alguns processos produtivos. As montagens da caixa do ar-condicionado, escapamento, para-choque e caixa de refrigeração, por exemplo, são feitas internamente.
“Ganhos em flexibilidade e isso deixa o polo mais forte”, defende o executivo.
Fábrica da Stellantis no Rio tem funilaria totalmente robotizada
Com isso, o índice de nacionalização da fábrica da Stellantis no RJ está na casa dos 80%. Mas o grande upgrade da linha foi realmente no nível de automação. Quem esteve na planta em 2014 e voltou agora – como esse que vos escreve – se impressiona.
A montadora estima que a automação na planta aumentou em mais de 40% com os mais recentes modelos da Citroën. São mais de 300 robôs por toda a fábrica, sendo 297 apenas na funilaria – 92% do processo nesta área hoje é automatizado.
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Na funilaria, algumas destas máquinas também foram adotadas para controle de qualidade antes de a carroceria seguir para pintura e montagem. Os robôs trabalham por foto-comparação para fazer a primeira triagem dos veículos.
“A funilaria era manual e hoje tem nível de automação acima de 90%. Isso trouxe modernização e evolução na qualidade do produto e nos processos”, ressalta Francis.
A planta também ganhou, para a família C-Cubed, um centro de controle 3D. Com protótipos montados em blocos ou feitos de alumínio, além de simuladores de última geração, a unidade agilizou o desenvolvimento dos carros.
“O sistema acelera o desenvolvimento de peças de estamparia, por exemplo. Além disso, faz diagnoses e antecipa problemas que possamos vir a ter”, explica Eduardo Palhares, gerente de funilaria da Stellantis.
Novo SUV e exportação
Atualmente, a planta fluminense gera 5 mil empregos totais e produz 27 carros por hora em um turno de produção. A expectativa é de que, com o futuro SUV compacto da Jeep, um segundo período seja implementado. Porém, um “sucesso” do Basalt pode antecipar essa hora extra.
Além disso, a unidade de motores fabrica a todo vapor o conhecido motor EC5 (1.6 16V), especialmente para o mercado externo. Inclusive, o plano da Stellantis é tornar sua fábrica no RJ um centro exportador mais forte de veículos e powertrain, e isso é papo para uma reportagem que você confere aqui na Automotive Business.