Aparentemente o governo federal tomou decisões corretas. De olho na inflação, de um lado, e de preservar a capacidade da gasolina de competir (leia-se Petrobrás) com o álcool no mercado interno, do outro, utilizou os recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para amortecer os preços ao consumidor. Esse imposto disfarçado foi criado para isso: administrar o sobe-e-desce do preço do petróleo. Não é um mecanismo ideal, porém um instrumento fiscal menos ruim.
Alíquotas menores da Cide procuraram neutralizar o preço da gasolina nos postos de abastecimento e permitiram conter o aumento do diesel no patamar dos 9%. Com isso se evitou que o encarecimento da gasolina levasse a um consumo ainda maior de álcool – diminuindo a lucratividade da Petrobrás – e sinalizou maior aproximação de preço entre os dois combustíveis fósseis, como está ocorrendo em vários países. Sem isso, a paraestatal do petróleo teria menos recursos para investir em exploração/produção e comprometeria a auto-suficiência atual de petróleo do país.
O diesel, mais que a gasolina, vai exigir da empresa gastar agora muito dinheiro para melhorar sua qualidade e, em especial, rebaixar o teor de enxofre para 50 ppm (partes p/milhão). Isso permitirá motores mais limpos nos caminhões e ônibus, além de abrir uma brecha para utilização também em automóveis por volta de 2011. Até lá, o diesel deverá ficar acima de 90% do preço da gasolina.
O governo só errou ao ameaçar usar o “rigor da lei”, se a gasolina subisse nos postos. Ora, com preços livres – e várias tentativas intervencionistas anteriores fracassadas – tudo se resume a simples bravata. O aumento do diesel traz impactos indiretos em toda a cadeia de distribuição e comercialização, além dos preços em geral. Para transportar gasolina, por exemplo, o frete vai aumentar porque todos os caminhões utilizam diesel. Combustível tem incidência média de 20% nos custos de transporte, dependendo da distância e da região do país. Só a competição entre os postos cria condições para que não ocorram aumentos.
Alguns argumentariam que a ameaça de fiscalização intensa dos preços faz parte de uma decisão meramente estratégica, apenas jogo de cena. No entanto, esse constante falatório demagógico passa ao largo da seriedade esperada de um país que acaba de obter reconhecimento para receber mais investimentos externos e garantir um futuro melhor.
Alta Roda nº 471
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7 de maio de 2008.
FROTA BRASILEIRA TEM A MESMA IDADE DA AMERICANA
Segundo estudo do Sindipeças, a frota brasileira circulante de quase 26 milhões de veículos (sem incluir motos) tem idade média de 9 anos e 2 meses. Números semelhantes aos EUA e até melhores que os do Japão (11 anos). A diferença é que nesses países há rigor nas inspeções técnicas e buracos na pavimentação são raríssimos. Aqui a vida útil teórica dos automóveis atinge 20 anos (Fernando Calmon, Alta Roda, 7 de maio).
VW PRODUZIRÁ O FOX NA ARGENTINA
Embora sem fazer muita questão de divulgar, Volkswagen começa a produzir o Fox também na Argentina nos próximos meses. Forma de conseguir atender a demanda aquecida tanto aqui como lá: marca lidera no mercado vizinho. Quando o novo Gol estrear em junho, será necessário importar o Fox para evitar desequilíbrio na oferta interna (Fernando Calmon, Alta Roda, 7 de maio).
SANDERO, INTERESSANTE PARA USO URBANO
Espaço interno, suspensão bem calibrada e um motor de 1.000 cm³ de cilindrada adequado tornam o Sandero um carro interessante para uso urbano. Motor sofre um pouco em estrada. Interior tem acabamento algo espartano, mas com certas comodidades. Navegador GPS, por exemplo, encaixa quase sob medida no console de túnel, sendo fácil de consultar, sem prejuízo no funcionamento (Fernando Calmon, Alta Roda, 7 de maio).
PAGANI FAZ POUPANÇA COM OS PRÓPRIOS CARROS
Horácio Pagani, argentino que projeta e constrói supercarros na Itália (vizinho da Ferrari), veio ao Brasil para apresentação do seu modelo Zonda F. Aqui custam R$ 4 milhões. Afirmou à coluna que guardou quatro de seus carros e pretende aumentar a frota para seis. “A valorização dessas unidades vai me garantir um futuro tranqüilo”, comentou com bom humor (Fernando Calmon, Alta Roda, 7 de maio).
UMA ESCULTURA PARA BERTHA BENZ
Faz 120 anos, em 5 de agosto próximo, que Bertha Benz concluiu a primeira viagem do primeiro automóvel patenteado. Ela e dois filhos, sem qualquer serviço de apoio, viajaram 106 km, em 1888, para demonstrar a praticidade do triciclo construído pelo marido Carl Benz. Berta e o carro acabam de ganhar uma escultura em homenagem ao feito, em Pforzheim, Alemanha.