
Um levantamento feito pela própria ViaMobilidade obtido pelo site “Diário do Transporte” e confirmado pela TV Globo apontou que a concessionária recebeu da CPTM uma frota com 65% dos trens sem a manutenção em dia.
CTPM diz que cumpriu edital
Segundo o relatório, alguns trens foram recebidos da CPTM com mais de 2,03 milhões de quilômetros sem a revisão no rodeiro, que é o conjunto das rodas dos trens. O recomendado é que a revisão seja feita a cada 1,2 milhão de km. 30 das 46 composições estavam com a revisão vencida. Entre esses trens estava o que bateu na plataforma da estação Júlio Prestes, em março, embora aquele acidente seja atribuído à falha humana.
Segundo técnicos das duas empresas ouvidos pela reportagem do “Diário do Transporte” sob condição de anonimato, a falta de revisão no tempo adequado pode explicar problemas de frenagem, tração e até mesmo o início de incêndio nos rodeiros. Esses problemas todos já aconteceram neste ano.
As empresas enviaram comunicados ao site. A CPTM disse que “o processo de transferência dos trens da CPTM à concessionária foi devidamente validado por Auditoria Independente, sendo que a CPTM atendeu ao especificado no edital de concessão e, inclusive, destacamos que o corpo técnico da concessionária foi treinado ‘in loco’ nas revisões preventivas e atendimento de falhas”.
Já a ViaMobilidade afirmou o seguinte: “conforme previsto em contrato, a ViaMobilidade recebeu um relatório do auditor independente informando as condições da frota. O Poder Concedente também recebeu o relatório sobre o estado dos trens, bem como os possíveis efeitos na prestação de serviço”. Ou seja, nenhuma das empresas contradisse o fato de que parte da frota estava com a revisão inadequada.
Falhas até nas catracas
Desde que a CPTM transferiu as linhas para a concessionária, usuários reclamam do aumento expressivo nas falhas técnicas da operação e também nas condições gerais do serviço. Ontem (5/5), a estação Grajaú da linha 9-Esmeralda, operada pela ViaMobilidade, apresentou falhas nas catracas, o que causou aglomeração nas plataformas e forçou o desligamento das escadas rolantes por motivos de segurança.
A ViaMobilidade recebeu uma concessão de 30 anos e, como parte do contrato, deve investir R$ 3,8 bilhões para a melhoria do serviço, o que inclui a compra de 36 trens novos. O primeiro deve chegar em janeiro de 2023.