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Faturamento de autopeças supera US$ 50 bilhões em 2011

Flávia Albuquerque, Agência Brasil
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Redação AB

13 abr 2011

3 minutos de leitura

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O faturamento da indústria de autopeças deve chegar a US$ 53,4 bilhões em 2011, de acordo com as estimativas do Sindipeças. Segundo balanço anual do setor, distribuído na abertura da 10º Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços (Automec, Anhembi, São Paulo, 12 de abril) em 2010, o faturamento foi US$ 49,8 bilhões, com um crescimento de 14,2% ante 2009. Os investimentos subiram de US$ 631 milhões, em 2009, para US$ 1,5 bilhão em 2010.

Os dados indicam que, em 2010, a frota brasileira de veículos tinha 32,5 milhões de unidades, 8,4% a mais do que em 2009. Hoje, há um veículo para cada 5,9 habitantes, enquanto, em 2000, a relação era de um veículo para 8,4 pessoas. A idade média desses automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus passou de 8 anos e 10 meses para 8 anos e 8 meses. Aqueles com 4 a 20 anos de fabricação são 67% da frota.

De acordo com o presidente do Sindipeças, Paulo Roberto Butori, a indústria de autopeças brasileira tem sofrido muito com o câmbio que, com o dólar desvalorizado, resultou na transformação do setor de exportador, com saldo líquido na balança comercial, para importador. “Passamos de um saldo comercial positivo de US$ 2 bilhões, para este ano, seguramente, chegarmos a US$ 4,5 bilhões negativos. Então, em cinco anos, a diferença da balança comercial foi de US$ 6,5 bilhões, somando os anos. Só vem se agravando esse problema”.

O imposto de importação tinha alíquotas de 8%, 9% e 10% e, desde junho do ano passado, os índices voltam a ser de 14%, 16% e 18%. “Volta a alíquota original deixando de ter aquela redução que foi provocada em 2002. Mesmo assim, nós estamos temerosos do nosso futuro, porque o mundo é muito competitivo. As taxas de juros que temos aqui para investimento são muito maiores que as do mercado internacional. O investimento é taxado, ao invés de ter vantagem, tem oneração tributária”.

O presidente do Sindipeças ressaltou que a China também é um problema e, ao contrário do que se diz, o Brasil tem, sim, uma forte balança comercial com aquele país. “Quando fala-se que o saldo comercial da China com o Brasil, com as commodities, é de US$ 5 bilhões, não se fala o quanto vem em outros produtos fabricados no mundo que estamos importando e que têm componentes chineses embutidos. A China tem saldo comercial muito pujante com o Brasil”.

A sugestão do setor é a de que o governo atue de perto com relação à taxa de câmbio. Para Butori, os fabricantes de autopeças não podem mais conviver as taxas atuais. “A taxa de juros para investimento também, porque ela não pode ser maior do que a do mercado internacional. Tem que pensar na oneração do investimento porque, senão, nunca vamos ser competitivos. E tem que nos ajudar nas parcerias com universidades em projetos de pesquisa e desenvolvimento para que comecemos a ter patentes nossas e que sejam competitivas internacionalmente”, afirmou.