
O plano morreria na praia se a área fosse estruturada de forma convencional dentro da empresa. “Sou um exército de homem só”, resume o designer, que tem trajetória de 12 anos na FCA. No comando do departamento, ele entendeu que não faria sentido montar uma equipe fixa para inovar. Com as mesmas pessoas, a empresa teria visão limitada. Era importante montar equipes com diferentes competências para cada projeto, ter liberdade para reunir profissionais de fora e de dentro da FCA. “A antiga forma de trabalhar já não servia”, defende.
Com este conceito, uma das primeiras iniciativas da área foi o Futuro das Cidades (leia aqui), projeto que nasceu para investigar a realidade das grandes cidades brasileiras, fomentar a discussão sobre mobilidade e, assim, identificar oportunidades para a companhia. Para concretizar a iniciativa, o projeto contou com o envolvimento de 250 especialistas, entre profissionais de diversas áreas, conta Silveira.
INDEPENDÊNCIA PARA INOVAR
A dinâmica do trabalho de future insights é a de um laboratório. A área apoia o planejamento estratégico de produto, mas tem toda a independência para trabalhar, o que permite a Silveira experimentar métodos e caminhos diferentes. Um dos exemplos, é o conceito de colisões improváveis, em que a FCA trabalharia em parceria com uma companhia de outro setor para gerar melhoria para o cliente. “A experiência do consumidor com um carro da Fiat é interrompida quando ele chega em casa e vai usar um eletrodoméstico, por exemplo. Pensamos em como unificar isso, trabalhar pela simplicidade fluida”, conta.
Silveira diz que o projeto chegou a ir adiante em algumas etapas e a companhia trabalhou com uma empresa da área de bens de consumo. O projeto, lembra, acabou não virando um produto para o mercado. “Acho que era uma ideia meio futurista para aquele momento”, diz. De qualquer forma, ele assegura que o aprendizado e os avanços desenvolvidos ficaram para ser replicados e aprimorados em outras iniciativas. Valeu o esforço, garante.
Silveira conta que tem o essencial, que é o apoio da liderança da companhia, que entende como estratégico o esforço para arejar a empresa e trabalhar a visão de futuro. Com isso, ele tem o espaço que precisa para fazer o seu papel. O desafio, conta, é gerenciar equipes e interesses diferentes em cada iniciativa. “Só consigo coordenar dois projetos por vez”, diz.
FIAT MIO FOI PONTO DE PARTIDA
Antes de virar uma divisão do negócio, a semente do que seria o future insights foi plantada quando a companhia fez, em 2008, o projeto do Fiat Mio, iniciativa que invertia a lógica do desenvolvimento de produto ao desenvolver um carro conceito a partir de plataforma colaborativa. O público participava on-line, registrando o que deveria ser priorizado no modelo. Na época, Silveira era chefe da área de design da empresa e viu ali o potencial para trabalhar de novas maneiras. Desde então este olhar evoluiu até o estabelecimento de um departamento corporativo formal.
