
Ainda que a FCA não tenha sido acusada formalmente, as especulações já provocam prejuízo. Na segunda-feira, 23, as ações da companhia caíram 5% depois de uma publicação alemã apontar que as vendas da montadora poderiam ser suspensas no país como penalidade pela fraude caso as autoridades encontrassem provas.
A interrupção é pouco provável, já que a própria Volkswagen seguiu vendendo seus carros na Alemanha mesmo quando o diselgate ser revelado, fraude no controle de emissões que envolveu 11 milhões de carros. O debate sobre a possível trapaça nas regras do país esquentou depois de a FCA não ter enviado ninguém a uma reunião convocada pelo Ministro dos Transportes alemão, Alexander Dobrindt.
Graziano Delrio, que ocupa posição equivalente no governo italiano, saiu em defesa da montadora. Segundo ele, os carros da FCA foram certificados na Itália e, portanto, qualquer desconfiança e suspeita de irregularidade deveria ser debatida com o país, não diretamente com a fabricante. A homologação foi feita lá porque a produção dos veículos acontece na região e, pelas regras da União Europeia, a aprovação vale para todas as 28 nações que compõe o bloco.
A investigação da FCA na Europa é mais um dos desdobramento da ofensiva que várias regiões estão fazendo para garantir que as legislações de consumo e de emissões dos veículos sejam efetivamente cumpridas. Estas iniciativas foram provocadas pelo diselgate, da Volkswagen, e seus desdobramentos já respingaram na Mitsubishi, Suzuki e Nissan.
O mecanismo que a FCA supostamente adotou para driblar o controle de emissões é a mesma que levou a Nissan ser acusada de burlar a legislação da Coreia do Sul (leia aqui). No caso da companhia japonesa, o sistema responsável por reduzir o nível de emissões do Qashqai vendido no país desliga 30 minutos depois de o motor começar a funcionar.