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FCA produzirá mais dois modelos em Goiana

A gama de produtos feitos no Polo Automotivo Jeep, inaugurado na terça-feira, 28, em Goiana (PE), vai crescer em breve. Por enquanto a unidade faz apenas o Jeep Renegade, mas Sergio Marchionne, CEO da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), programa o início da produção de mais dois modelos nos próximos 18 meses: outro veículo da gama Jeep e um da Fiat, que provavelmente será a picape média derivada do conceito FCC4 que a marca italiana apresentou durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2014.
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Giovanna Riato

28 abr 2015

3 minutos de leitura

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O líder da companhia evitou dar detalhes dos modelos, mas deixou claro que, apesar do logotipo que estampa a entrada do complexo industrial nordestino, a unidade poderá fazer carros de qualquer empresa do grupo se for conveniente. Segundo ele, o complexo industrial permite à FCA “passar pela tempestade melhor do que qualquer concorrente”. Para Marchionne a fábrica é complementar à planta que a companhia tem em Minas Gerais, que se manterá concentrada na produção de carros mais populares enquanto a nova estrutura assume a responsabilidade de montar modelos com maior valor agregado. “Nossas fábricas não vão concorrer entre si. A unidade de Goiana é versátil para fazer projetos que Betim não comporta.”

O executivo garantiu que o suntuoso investimento de R$ 7 bilhões destinado ao Polo Automotivo Jeep é justificado mesmo diante da atual retração das vendas. “Esta planta é reflexo de uma decisão sábia. Estou confiante”, garantiu, ao lembrar que o segmento que acumula a queda mais expressiva nas vendas é o de carros populares, não o de modelos com maior valor agregado, como o Renegade.

Para Marchionne, apesar da estremecida conjuntura política e econômica atual, é preciso conter o pessimismo. “Quando analisamos os dados fica claro que o Brasil vai crescer. Temos vários fatores que indicam esse potencial. Podemos nos preocupar com 2015 e pode ser que a retração se estenda até o início de 2016, mas precisamos nos acalmar”, ponderou. Para o executivo chefe da FCA, é normal que as economias enfrentem momentos de baixa e o Brasil tem ainda o mérito de ter driblado a crise global de abalou grandes mercados entre 2008 e 2010.

O executivo italiano reconhece, no entanto, que seria possível aproveitar melhor o potencial exportador da unidade. A capacidade produtiva da planta, de 250 mil unidades por ano, já visa as vendas internacionais, principalmente para países latinos. Ainda assim, Marchionne acredita que seria possível dar impulso aos volumes com alguns ajustes na cadeia de impostos brasileira, que faz com que o carro nacional perca competitividade. “Poderíamos exportar de forma imediata para uma série de países caso houvesse alguma mudança.”

JEEP É APOSTA GLOBAL

O CEO aponta que a Jeep tem papel central na estratégia mundial da companhia após a fusão com a Chrysler, concluída em 2014. “Em mercados maduros o espaço para o reposicionamento de nossas marcas é mais limitado. A Jeep será a principal força em nossa estratégia de globalização.” Marchionne aponta que as vendas da divisão cresceram 22% no mundo no primeiro trimestre de 2015. Este potencial deve ser melhor aproveitado com a fábrica de Goiana e com o início da operação de uma planta da marca na China, previsto para o fim deste ano.

No Brasil a empresa passa por forte expansão da rede para sustentar o volume previsto para o Renegade. Serão 200 casas até o fim deste ano. Antes disso, no segundo semestre, a companhia testará localmente uma fórmula amplamente usada no exterior: realizar entregas dos carros aos clientes na própria fábrica. Para isso, o Polo Automotivo Jeep conta com showroom do portfólio de produtos da marca.