
Não será em 2017 que as fábricas de carros instaladas no Brasil voltarão a um patamar saudável de ocupação. A expectativa é de que a ociosidade siga elevada no segmento de veículos leves. Projeção da IHS Markit aponta que a utilização média será de 58,5% até o fim do ano. A consultoria apresentou o número no VIII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 17, em São Paulo.
De acordo com o levantamento, a FCA é a principal responsável por puxar este número para baixo. Enquanto acelera a produção no moderno Polo Automotivo Jeep em Goiana (PE), a fábrica da Fiat em Betim (MG), segue com volumes baixos que refletem o menor interesse do consumidor brasileiro pelos carros que compõe atualmente a gama da marca. A planta é a maior fábrica de veículos sob o mesmo teto do mundo, com potencial para fazer 900 mil unidades por ano. “Hoje a FCA só usa 34% da capacidade instalada no Brasil”, observa Guido Vildozo, consultor da IHS Markit.
Outra marca que segue com ociosidade elevada é a Mitsubishi, com apenas 39,1% de uso da planta de Catalão (GO). Volkswagen e General Motors têm índices um pouco melhores, mas ainda baixos, com aproveitamento de cerca de 50% do potencial produtivo. Além do efeito da crise, na montadora alemã a baixa reflete a redução da presença de mercado da companhia. Já a General Motors segue com 56,7% de utilização da capacidade instalada apesar de ser líder de vendas com o Chevrolet Onix.
Em patamar saudável – o ponto de equilíbrio da indústria está em ocupação superior a 65% – aparecem Ford, a Aliança Renault-Nissan e a Hyundai. Estas companhias aproveitam mais de 70% do potencial produtivo que têm instalado no Brasil. No levantamento da IHS três empresas se destacam ainda com utilização superior a 80%: Honda, Grupo PSA e a Toyota, que é a montadora que faz uso mais pleno de sua estrutura nacional com 85,1% de ocupação.
PRODUÇÃO SÓ CHEGA A 3 MILHÕES EM 2023
Pela estimativa da IHS Markit, as montadoras enfrentarão ainda longo período de ociosidade no Brasil. A capacidade de produção de veículos projetada do País é de cerca de 4,5 milhões de unidades anuais, mas só em 2023 o ritmo das plantas locais deve superar a marca de 3 milhões de veículos, com nível de atividade superior a 70%.
Na análise da consultoria, o mercado interno deve acompanhar de perto a evolução da produção com 2,71 milhões de unidades em 2023 para, enfim, chegar a 3,1 milhões de veículos em 2024. Dessa forma, o horizonte da IHS não prevê que o País volte tão cedo aos patamares recorde de 3,6 milhões de veículos vendidos e 3,46 milhões de unidades produzidas alcançados em 2012 e 2013, respectivamente.
OCUPAÇÃO DA CAPACIDADE PRODUTIVA NO BRASIL