
Ele diz que, mais do que gerar volume e market share, cada veículo da companhia precisa gerar valor para a marca, independentemente do segmento. É o que a empresa parece estar alcançando com a Toro, que já está entre as picapes mais vendidas do país, com volume superior ao projetado inicialmente. A FCA trabalha ainda para fazer o mesmo com o Mobi, que começou mal no mercado, mas passa a apresentar resultados mais interessantes.
“Outubro foi o melhor mês de vendas para este modelo. Nunca quisemos vender ele como o carro mais barato do Brasil, mas como uma solução inteligente de mobilidade. O objetivo é gerar imagem coerente e sustentável. Vender por preço é destruição de valor para a marca”, conta o executivo, indicando que a empresa se reinventa ao desapegar da filosofia que tornou o Mille sucesso tão grande no passado.
“Estamos na maior renovação da história da marca Fiat”, destaca. Ketter esclarece que depois de trazer novidades para as duas pontas do portfólio com o compacto e a picape, é a hora de atualizar modelos médios. A ideia é manter o ritmo de lançamentos, com uma novidade a cada semestre.
Ao apostar na qualidade e boa oferta de produtos, Ketter quer intensificar as exportações. Ele promete novidades em breve para a Toro e quer seguir nestas negociações até construir participação consistente no mercado externo. “O projeto de exportação não pode ser oportunista, priorizado só quando o mercado brasileiro está ruim. É algo que tem que ser feito de forma real e sustentável para sempre”, defende. Na FCA, o foco permanente nas exportações foi um dos fatores levado em conta na construção da fábrica da Jeep em Goiana (PE), aponta Ketter. Segundo o executivo a unidade foi erguida para ser competitiva internacionalmente.
2017 AINDA MELHOR
Com tantas novidades, o presidente da FCA diz que a empresa fechará 2016 com resultado positivo, com lucratividade mesmo no contexto desafiador. A intenção é seguir assim em 2017, talvez em um cenário um pouco mais favorável, com discreta expansão do mercado nacional. “Espero que a gente volte para o mercado real”, diz, destacando que, na crise, aumentou muito a participação das vendas diretas nos emplacamentos, algo que distorce os números. Ele quer crescer no varejo.
Ketter lembra que o ano que vem será ainda mais importante para o setor automotivo por causa do Inovar-Auto, regime automotivo que termina em outubro. É essencial, ele diz, definir nova política industrial para dar continuidade ao programa. Desta vez a visão deve ser de longo prazo, com foco em reconstruir a cadeia de fornecedores e buscar acordos de comércio internacional. Definir novas metas de eficiência energética é outra ação indispensável para o executivo. “A primeira fase do programa nos colocou dentro da indústria global. Agora temos que continuar. Sem novas regras vamos ficar defasados em 2020 e não conseguiremos competir globalmente”, avalia.
Assista à entrevista exclusiva com Stefan Ketter direto do Salão do Automóvel 2016:
