
-Veja aqui os dados da Fenabrave
A nova perspectiva é mais pessimista do que a divulgada no início do ano, quando a organização trabalhava com dois cenários, um de estabilidade e outro de retração de 3,2%, para 3,64 milhões de veículos. Com a nova projeção a Fenabrave assume a possibilidade mais pessimista, já que profissionais do mercado falam em retração de 5% a 8%.
A queda prevista pela entidade seria puxada pelos caminhões. A previsão é que 2014 termine com queda de 15% nas vendas, para 132,3 mil unidades. “Isso reflete o menor ritmo da economia. As montadoras estão com veículos para vender e o Finame tem boas condições, mas agora a demanda por transporte de carga caiu”, explica Alarico Assumpção, diretor-executivo da federação dos distribuidores. As vendas de ônibus acompanhariam com queda um pouco menor, de 10% para 32 mil chassis.
Entre os veículos leves, o emplacamento de automóveis pode encerrar 2014 com contração de 10,5%, para 2,46 milhões de unidades. Já os modelos comerciais tendem a alcançar crescimento de 1,5%, com 833,1 mil unidades.
CRÉDITO RESTRITO
Para a Fenabrave, além de ter de driblar os efeitos da economia mais fraca, o setor enfrenta a restrição do crédito, com a aprovação de apenas 40% das fichas pelos bancos. Flávio Meneghetti, presidente da entidade enfatiza que o problema não é mais a inadimplência, já que o índice está em retração, perto de 5%. “A tomada do carro já não é uma boa garantia para os bancos e as instituições perderam o apetite para assumir o risco”, avalia.
O executivo aponta que os bancos só recuperam 15 veículos em cada 100 contratos com clientes inadimplentes. Na visão de Meneghetti, o problema reflete falha da legislação para o financiamento de veículos, que precisaria passar por uma mudança para proteger o capital de quem empresta e privilegiar bons pagadores, reduzindo a burocracia para a retomada do bem. “Estamos trabalhando com o governo para que seja feita uma alteração, como o que aconteceu com o crédito imobiliário. Isso faria as instituições recuperarem interesse em financiar.” O presidente aponta que a negociação da medida está em curso.
Pelo cálculo do executivo, se a demanda do segmento fosse levada adiante, seria possível ampliar em 25% o volume de contratos de crédito para veículos fechados mensalmente. “Hoje a média é de 134 mil financiamentos por mês. Com a mudança poderíamos adicionar 34 mil veículos no mesmo período. Esse seria um impulso para o setor bem maior do que a redução do IPI”, garante.
ASPECTOS POSITIVOS
Mesmo diante da perspectiva de retração para o ano, a Fenabrave admite que o segundo semestre trará algum alívio na interrupção das vendas sofrida durante a Copa do Mundo. “Perdemos praticamente um mês de trabalho”, aponta Meneghetti. Para começar, com poucos feriados, o próximo semestre não sofrerá abalo no número de dias úteis. Outro ponto favorável é a manutenção do IPI reduzido até o fim do ano. “Não acredito que isso vá alavancar as vendas, mas pelo menos impedirá um impacto nos preços, o que aprofundaria a queda”, pondera.
Além disso, enquanto o primeiro semestre de 2014 teve poucos lançamentos de veículos, a segunda metade contará com uma série deles. A entidade prevê a chegada de pelo menos 14 novos modelos e atualizações dos que já estão no mercado. Esse movimento será intensificado pelo Salão do Automóvel de São Paulo, que atrairá a atenção do consumidor entre 30 de outubro e 9 de novembro. Com isso, a Fenabrave estima que a média mensal de emplacamentos do segundo semestre deverá ser 5% superior ao anotado de janeiro a junho.
A expectativa de Meneghetti é que, depois de meses difíceis, 2014 termine com ritmo mais aquecido. Em novembro e dezembro, além do impulso às vendas dado pela mostra de carros, as montadoras e concessionárias contarão com a perspectiva de aumento do IPI em janeiro de 2015 como incentivo extra para aquecer os negócios.
Assista à entrevista exclusiva com Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave:
