
Piëch renunciou à presidência do conselho do Grupo VW em abril de 2015, poucos meses antes da eclosão do dieselgate, o escândalo das emissões acima dos limites legais de motores diesel da VW, que em setembro do mesmo ano provocou a renúncia do CEO Martin Winterkorn – que presidiu a Audi e foi alçado ao comando de todo o grupo em manobra arquitetada pelo próprio Piëch. São públicos os desentendimentos do acionista com a atual direção do grupo, nomeada por pressão da porção Porsche dos controladores, a começar pelo CEO Matthias Müller, que antes era presidente da marca de superesportivos Porsche e assumiu o lugar de Winterkorn após o dieselgate.
O episódio mais recente que expôs a briga entre acionistas aconteceu há pouco mais de um mês, após Piëch declarar a jornais que havia alertado diretores do grupo sobre a possibilidade de problemas com as emissões dos motores diesel seis meses antes de o escândalo estourar. Em resposta, o Grupo Volkswagen declarou oficialmente que estudava tomar medidas legais contra o ex-chairman (leia aqui).
Segundo comunicado oficial da holding Porsche SE, não há certeza de realização do negócio e nem previsão de quando seria efetivada a compra das ações de Piëch, que seriam transferidas a outros membros da própria família e dos Porsche. Também não há definição de como ficaria a nova estrutura societária da companhia. Contudo, fontes familiarizadas com as negociações disseram à agência Reuters que a transação deve ser fechada em breve, talvez antes do fim de março, com o desejo do Grupo VW em estancar o desgaste entre seus controladores.
Ferdinand Piëch completa 80 anos em abril e tem 14,7% de participação acionária Porsche SE. Pela cotação mais recente das ações da holding, o valor da parte dele na empresa é estimado em € 1,1 bilhão. Ainda segundo fontes disseram à Reuters, as famílias Porsche e Piëch pretendem comprar a maior parte dos papeis do acionista e já negociaram as formas de financiar a aquisição.