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Ferramentas: desindustrialização em curso, alerta o Sinafer

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Redação AB

24 mai 2011

3 minutos de leitura

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Redação AB

No cenário mundial dos fabricantes de ferramentas e maquinário de manufatura, o Brasil pode voltar a ser uma “colônia”. Esta é a visão de Milton Rezende, presidente do Sindicato das Indústrias de Ferramentas (Sinafer). Durante entrevista na abertura da 13ª Feimafe (Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Sistemas Integrados de Manufatura), nesta terça-feira, 24, Rezende refletiu a preocupação com a desindustrialização do setor em curso no Brasil.

O dirigente destacou que os fabricantes de máquinas industriais e ferramentas enfrentam atualmente sérios problemas de competitividade e perdem terreno a passos largos para produtos importados. Nesse sentido, Rezende alerta que o crescimento da produção industrial no Brasil contrasta com a queda no ritmo das fábricas de ferramentas, que recuou 8,4% no primeiro trimestre de 2011 em comparação a igual período de 2010. Em relação aos primeiros três meses de 2007 o tombo é ainda mais significativo: 23%. Com isso, o setor, que em 2008 empregava no Brasil 282 mil pessoas, encerrou 2010 com 265 mil.

A perda de crescimento da produção de ferramentas no Brasil está diretamente associada ao aumento das importações, que segundo o Sinafer cresceram 57% no confronto trimestre contra trimestre, de US$ 225,5 milhões de janeiro a março de 2010 ante US$ 353,8 milhões no mesmo período de 2011.

Desindustrialização

“Hoje o grande problema enfrentado pelo nosso setor é o que chamamos de desindustrialização do Brasil, já que as fábricas brasileiras têm importado a maior parte de seus componentes, peças e moldes, colocando em desuso as nossas ferramentas”, afirmou Rezende. Segundo ele, as empresas do setor estão deixando de fabricar ferramentas no País em decorrência do dólar barato, carga tributária elevada, juros altos e custo da mão de obra, fatores que geram déficit de competitividade em comparação com os produtos importados. “As empresas, principalmente as multinacionais, estão substituindo suas fábricas por grandes centros de distribuição”, completou.

Rezende afirma que, ao contrário do que se imagina, o maior concorrente do Brasil nesse mercado não é somente a China. “Nossos maiores concorrentes são Europa, Japão e Estados Unidos. Uma ferramenta produzida no Brasil custa cerca de 25% a 30% mais que a mesma produzida nesses países. Somente a reforma tributária poderia melhorar essa situação”, defendeu o presidente do Sinafer.

“Com o encolhimento do mercado interno da Europa, Estados Unidos e Japão após a crise, os fabricantes de ferramentas desses países têm exportado para o Brasil com preços que talvez estejam muito próximos de seus custos de produção. Só assim eles garantem volume e o emprego de seus cidadãos. Mas estão, em contrapartida, desempregando os brasileiros”, avalia Rezende.