Cerca de metade do total que Montezemolo receberá será paga em janeiro de 2015, como parte do acordo para que ele não vá trabalhar na concorrência. Os € 13,71 milhões restantes poderão ser pagos pela Fiat em 20 anos. O valor corresponde a cinco vezes o salário anual do executivo tinha como presidente da Ferrari.
Informações da agência Automotive News Europe apontam que a saída de Montezemolo é consequência do desentendimento entre ele e Marchionne dentro da companhia. Os executivos divergiam sobre o futuro da Ferrari e os resultados fracos da equipe de Fórmula 1. Enquanto o executivo da marca trabalhava para garantir que a gestão fosse a mais independente do grupo possível, o CEO da FCA fazia pressão para que os negócios se tornassem mais integrados.
NOVOS PLANOS
Marchionne já anunciou a meta de elevar gradativamente os volumes produzidos pela Ferrari a partir de outubro, quando assume os negócios. Dessa forma ele pretende acompanhar o aumento do número de consumidores de veículos da categoria verificado principalmente em países emergentes, como a China. “Se essa classe cresce, devemos ter capacidade para acompanhar o movimento. Se a lista de espera ficar muito longa as pessoas vão cansar”, avalia.
O plano contrasta com a estratégia de Montezemolo, que limitava o volume anual da companhia a 7 mil carros para manter o apelo de exclusividade da marca. O novo dirigente já sinalizou que há potencial para elevar este total para 10 mil unidades por ano.
RESULTADOS
Ainda que Marchionne discorde das estratégias de Montezemolo na Ferrari, o executivo deixa legado positivo. Os resultados financeiros da marca no primeiro semestre somaram faturamento de € 1,34 bilhão, com evolução de 14,5% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido também teve crescimento importante, de € 127,6 milhões, com alta de 9,8%. A expansão aconteceu mesmo diante da queda de 3,6% nas vendas, para 3,6 mil carros no mundo.