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Pedro Kutney, AB
De Miami, Estados Unidos
O presidente dos grupos Fiat e Chrysler na América Latina, Cledorvino Belini, lembrou do cenário de pós-guerra e de dificuldades econômicas na Europa em 1957, quando foi lançada a primeira versão do Cinquecento, que representou “a esperança da mobilidade com preço acessível”. O carrinho em sua nova geração, hoje fabricado não mais na Itália, mas na Polônia e no México, também é carregado de significado: “É mais uma vez o carro certo no momento certo”, definiu Belini, em alusão à necessidade de reduzir o tamanho de automóveis e motores para economizar combustível e diminuir emissões de gases poluentes e de efeito estufa.
“O Cinquecento mantém o mesmo espírito que garantiu seu sucesso no passado, mas foi reiventado de acordo com as novas necessidades do mundo”, disse Belini durante a apresentação do carro para pouco mais de 200 jornalistas da América Latina, nesta terça-feira, 23. “Enxergamos novas e grandes oportunidades para o carrinho no mundo”, completou Carlos Eugênio Dutra, diretor de produto e exportação da Fiat América Latina.
A nova geração do 500, lançada na Europa em 2007, representou o renascimento da Fiat, que saia então de um período de perigosa instabilidade financeira. O Cinquecento que começou a ser fabricado no início deste ano em fábrica da Chrysler em Toluca, no México, representa a globalização da empresa italiana mais do que qualquer outro modelo da marca, pois é o único vendido no mundo inteiro – e marca a volta da Fiat ao mercado norte-americano, desta vez em associação com a Chrysler, que passou a controlar em junho passado.
Enquanto a fábrica na Polônia continuará atendendo o mercado europeu, do México o 500 seguirá para o resto do mundo, incluindo Américas e China.
Do 500 lançado em 1957 foram vendidas 4 milhões de unidades. Da nova geração, desde 2007 já foram 700 mil. O Cinquecento mexicano vendeu 12,5 mil nos Estados Unidos e Canadá desde que foi introduzido nesses mercados, há três meses. É pouco para o mercado norte-americano, que consome mais de 14 milhões de veículos por ano, mas parece bom número para um carro que mais parece um extraterrestre em terras de carros gigantes.
O desafio do 500 hoje, portanto, é maior do que jamais foi, pois depende da mudança cultural de sociedades acostumadas com os excessos. O tempo dirá se o pequeno carro conseguirá construir mais uma grande história.