
Estudos sobre o desempenho do propulsor serão obtidos por meio de simulação de fluxo de ar frio, do spray, da mistura e da combustão, além da transferência de calor. As envolvidas no projeto esperam com a pesquisa prever com precisão o comportamento nos âmbitos da combustão e da mistura de ar com o combustível, e dessa forma, melhorar a eficiência do motor.
“Com essa parceria, a Fiat, a UFMG e Minas Gerais saem vitoriosos. Traremos a capacidade de estudar motores de combustão interna em profundidade, com equipamentos e expertise que só essa união poderia proporcionar. O uso do etanol, substância menos poluente do que outros componentes, é oportuno e viável porque os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto às questões do consumo e da preservação dos recursos naturais”, disse Paolo Ferrero, diretor de engenharia powertrain da Fiat Chrysler para a América Latina, durante a assinatura do acordo, na quarta-feira, 28.
O diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG, Pedro Vidigal, também comemorou: “A parceria com a Fiat representa um excelente exemplo de como a academia e o setor produtivo podem trabalhar na criação de novos produtos e processos. Alinhando objetivos e expectativas, é possível colocar duas instituições, que apresentam interesses distintos, atuando de forma sinérgica e cooperativa. Parcerias como essa são fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e, certamente, apresentam impacto significativo no contexto econômico local, regional e também nacional”.
DO LABORATÓRIO AO MERCADO
O projeto, que será coordenado pelo professor Ramon Molina, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia da UFMG, é intitulado Simulação computacional tridimensional do motor conceito a etanol, envolvendo caracterização do escoamento de ar, spray e da combustão. Molina adverte que se trata de um longo processo, que pode levar por volta de 10 anos entre a concepção e a chegada ao mercado.
“Depois de modelado computacionalmente, o motor precisa ser construído. Daí sai o protótipo de pesquisa, que começa a ser testado experimentalmente, e só depois de conferir se o resultado é o proposto, ele passa a ser um protótipo para construção de produto final”, relata.
As etapas envolvem calibração e ajustes de todos os componentes e aprovação na legislação de emissões. Dentro do acordo, a UFMG receberá prêmios com base em porcentuais dos ganhos obtidos com a comercialização da tecnologia.
O professor informa ainda que é a primeira vez que se firma um convênio nesses moldes entre uma montadora de automóveis e uma universidade. “Existem vários grupos que realizam trabalhos acadêmicos em indústrias automotivas, mas a iniciativa, por seu caráter de transformação drástica no consumo, é pioneira”, assinala.