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Fiat faz nova tentativa com o Linea

A Fiat deu uma nova chance para o Linea, seu sedã médio que desde o lançamento, em 2008, vendeu 60 mil unidades, média de 10 mil/ano, bem abaixo de seus maiores concorrentes neste congestionado segmento do mercado brasileiro, que abriga mais de 20 modelos e é liderado atualmente por larga margem pelo Honda Civic. Com leve reestilização do design externo e interno do carro e preço que começa em R$ 55.890 e chega a R$ 66.450 (com câmbio manual e sem opcionais), cerca de R$ 1 mil mais caro que a versão anterior e em torno de R$ 10 mil abaixo da concorrência direta, a Fiat espera aumentar em 30% as vendas do Linea este ano, para perto da média de 10 mil emplacamentos. “Não será nada excepcional, é perfeitamente possível, preparamos um pacote com bom custo-benefício, mais barato até do que alguns sedãs pequenos como o (VW) Polo”, aposta Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat. Pode ser, mas o histórico da marca na categoria mostra que vai ser difícil.
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pedro

03 abr 2014

5 minutos de leitura

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Em 2013, a Fiat emplacou 7,5 mil Linea e ficou na sétima posição da sua categoria, a uma considerável distância de 53,5 mil dos 61 mil Civic licenciados – isso apesar de custar cerca de R$ 10 mil a menos do que o líder e estar à venda em 610 concessionárias, contra 130 da Honda. “Temos uma vasta gama em uma só concessionária e o vendedor não pode ficar preso a um só carro. Numa revenda da Toyota ou da Honda tem dois ou três modelos para vender. O problema é de falta de foco no produto”, avalia Ramos. Ele acrescenta ainda que precisa dividir a verba publicitária entre toda a linha e por isso não consegue concentrar esforços no Linea. “Não consigo colocar na mídia tanto quanto gostaria.”

A explicação é boa, mas não convence totalmente quando se compara o fraco desempenho do Linea diante de rivais como Volkswagen Jetta, Chevrolet Cruze e Ford Fusion; todos vendem mais do que o sedã médio da Fiat, apesar de bem mais caros e também distribuídos em concessionárias com grande número de opções. O problema maior parece ser de imagem, com consumidores que não ligam a marca a produtos de preço e sofisticação maiores. Por isso o maior concorrente do Linea é a própria Fiat, a começar pelo Gran Siena, praticamente do mesmo tamanho e R$ 10 mil mais barato (ainda que só disponível com motor 1.6, contra o 1.8 do Linea).

A estratégia de reduzir preço e agregar mais conteúdo do que os competidores do segmento também não funcionou até agora. Segundo levantamento da própria Fiat, desde 2008, quando foi lançado no Brasil, o preço do Linea saiu da faixa de R$ 61 mil e caiu a R$ 54 mil, enquanto os outros principais sedãs médios do mercado avançaram para valores mais próximos de R$ 70 mil. Nem por isso, contudo, o carro da Fiat vendeu mais. Isso sugere que o consumidor dessa categoria valoriza qualidades intangíveis que vão além do preço em si.

ATUALIZAÇÃO

Por fora, o Linea 2015 mudou pouco. Em sua primeira reestilização no Brasil, ganhou grade frontal com desenho mais suave e frisos cromados. Na traseira, a nova tampa do porta-malas (550 litros de capacidade) agora incorpora a placa. Nas laterais a única novidade perceptível são as novas rodas de liga leve de 16 ou 17 polegadas, cujo desenho lembra uma turbina.

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Diferenças internas: o painel do novo Linea ganhou novo desenho. A versão topo de linha Absolute do Linea 2015 tem revestimento bicolor (esquerda), enquanto na básica Essence o acabamento é comum.

As maiores mudanças foram feitas no interior, que ganhou em sofisticação com novos painel, cluster de instrumentos e tecidos dos bancos. A versão topo de linha Absolute tem revestimento em duas cores, recebeu bancos parcialmente revestidos com couro e iluminação que segue a linha do painel em frente ao passageiro. Esta versão também vem de série com ar-condicionado digital, sistema de som Blue&Me que atende a comando de voz e sensor de estacionamento que integra alerta sonoro e representação gráfica na tela do computador de bordo.

Bastante completo, o Linea Absolute cobra seu preço: R$ 66.450, ou R$ 10,6 mil do que a versão de entrada Essence (R$ 55.850). O câmbio automatizado Dualogic de cinco marchas, disponível para ambas as versões, acrescenta R$ 3,3 mil ao preço. Na configuração básica, é possível agregar opcionais como rodas de liga leve, revestimento especial dos bancos, iluminação do painel, o Blue&Me ou Blue&Me Nav, que integra a navegação digital por GPS, e ar-condionado digital, catapultando o valor para além dos R$ 64 mil. O Absolute pode receber como opcionais airbags laterais e cortina, sensor de chuva e crepuscular, sistema de som de alta fidelidade e o Blue&Me Nav, que integra a navegação digital por GPS. Com tudo isso e a opção de troca automática de marchas o valor ultrapassa os R$ 75 mil.

A mecânica permaneceu a mesma, com algumas atualizações tecnológicas, como na central eletrônica de gerenciamento do motor flex 1.8, que gera 130 cavalos com gasolina ou 132 com etanol, segundo a Fiat. O câmbio automatizado Dualogic também é de última geração, com função de aceleração automática nas saídas (evita o retorno do carro) e trocas de marchas mais suaves.

Somando tudo, o pacote do Linea melhorou, ainda que levemente. Contudo, não parece ser em volume suficiente para atrair mais clientes para um carro médio da Fiat.